Multa do Cade à AmBev de R$ 352 milhões é vista como negativa pelos analistas

Contudo, equipe da Ágora não altera o preço-alvo para as ações preferenciais da empresa, estimando upside de 24%

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SÃO PAULO – Na quarta-feira (22), o mercado foi surpreendido, negativamente, pela multa de R$ 352,6 milhões aplicada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) à AmBev (AMBV4), que acusa a cervejaria de práticas anticompetitivas.

Via comunicado ao mercado, a empresa prometeu que entrará com um recurso na Justiça contra a decisão do órgão regulatório brasileiro. Enquanto nada é resolvido e a multa vigora, os analistas da Ativa Corretora consideram a notícia negativa para a empresa.

“O valor a ser pago equivale a 4% do Ebitda (geração operacional de caixa) da companhia e 11,5% do lucro líquido do ano de 2008, o que não pode ser considerado desprezível”, afirma a equipe.

Ainda no âmbito das atribuições financeiras, o grupo de análise da Ágora reitera os impactos negativos sobre os resultados, uma vez que a multa equivale a 5,7% do lucro projetado da AmBev pela equipe neste ano.

Longo prazo à deriva

Para a Ativa, a decisão do Cade revela uma postura mais rígida por parte do órgão, fator negativo já que pode criar barreiras às práticas de relacionamento da empresa com os bares.

Muito mais do que os R$ 352,6 milhões sobre os resultados, a suspensão do programa de fidelidade poderá influenciar negativamente no market share da companhia, em alta nos últimos tempos, alerta a Ágora.

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Preço-alvo inalterado

Analisando unicamente o caso pelo valor da multa, os analistas da Ágora não estimam efeitos relevantes sobre o preço-alvo da AmBev, mas com consequências um pouco mais significativas quando se vislumbra o lucro líquido anual.

Deste modo, a corretora mantém sua recomendação de compra para os papéis preferenciais da empresa, com o preço-alvo em R$ 160,61, o que garante um potencial de valorização de 24% frente ao último fechamento.