O que esperar?

Mudança radical na política de juros dos EUA pode ser indicada hoje no Fomc, diz XP

Elevações passarão a ser decididas de reunião a reunião para o estrategista macro da XP Securities, Paul Hermanny

arrow_forwardMais sobre
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – A reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) é sempre um evento observado de perto por investidores no mundo todo, já que ela decide sobre nada menos do que a taxa de juros da maior economia do mundo – o que pode influenciar, e muito, a dinâmica dos mercados mundiais. Este encontro, no entanto, traz algo especial, já que ele pode indicar o início de uma mudança radical na política monetária norte-americana. 

Paul Hermanny, estrategista macro da XP Securities, escreve em relatório que as decisões de juros passam agora dos anos de política heterodoxa para um momento em que elevações das taxas serão decididas de reunião em reunião. É bom lembrar que a última vez em que o Fomc decidiu aumentar os juros foi em 2006, ou seja, nove anos atrás. Antes da crise e do Quantitative Easing, medida trilionária de compra de títulos pelo governo para aumentar a liquidez da economia. 

Mais juros por lá, significam um aumento dos rendimentos dos treasuries, os títulos da dívida norte-americana, que são considerados os ativos mais seguros do mundo. Com mais retorno para um investimento de risco quase zero, deve ocorrer uma queda global no apetite por risco, principalmente em mercados emergentes, onde a segurança é vista como menor. Por isso o Federal Reserve tem sido tão cauteloso antes de anunciar as mudanças, dando mais tempo para que o mercado precifique a alta dos juros. 

Aprenda a investir na bolsa

Para o estrategista, uma elevação hoje está fora de cogitação, mas desenhará o cenário para um começo do aperto em setembro. “Nós esperamos que o comitê reconheça que o crescimento está voltando”, diz Hermanny. No primeiro trimestre de 2015, o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos recuou 0,7% na comparação anual. Apesar disso, dados como os de emprego mostram que o desempenho fraco possa ter sido afetado mais por fatores pontuais, não mudando a trajetória geral de recuperação. Em maio foram criadas 280 mil novas vagas de emprego, contra expectativas de 225 mil.

“Ganhos mais fortes de novos empregos sugerem que a estagnação no mercado de trabalho diminuiu”, diz o estrategista. Isso seria o suficiente para ofuscar a persistência de uma inflação abaixo da meta. O ritmo fraco de aumento nos investimentos também seria subjugado pela melhora no setor imobiliário e pelo aumento das exportações. “Portanto, esperamos que o comitê veja os riscos para a atividade econômica e o mercado de trabalho como quase balanceados”. 

As projeções de Hermanny são de dois aumentos de 25 pontos-base em 2015. No entanto, o caminho pode ser revisado para elevações mais suaves por conta da revisão das projeções de crescimento econômico por causa de um avanço discreto no primeiro semestre de 2015, fazendo com que as revisões para 2016 sejam condicionadas a uma recuperação do passo na macroeconomia. 

O cenário base, então fica sendo o de uma elevação de 0,25 ponto percentual em setembro, com a incerteza passando para a reunião de dezembro. “Na nossa visão, o ciclo deve começar em setembro com aumentos de 25 pontos-base encontro sim, encontro não até a metade de 2016. Depois disso, eles devem acelerar para uma média de 25 p.bs. por reunião até chegar em 3,5%-3,75% [ao ano] no primeiro semestre de 2017”.