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SÃO PAULO – Em meio à forte crise do subprime de 2008 nos Estados Unidos, que atingiu os mercados e os investimentos como um todo, o papel do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) aumentou na economia brasileira. O banco de fomento passou a fazer parte dos esforços do governo, que adotou medidas anticíclicas para evitar os efeitos nocivos da crise.
Atualmente, o BNDES é a fonte de cerca de 25% do financiamento do capex das empresas brasileiras. Neste sentido, a formação bruta de capital fixo em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) saltou de uma média de 16,4% entre 2004 e 2007 para 19,5% em 2010, mas desacelerou nos últimos dois anos, refletindo a atividade econômica mais fraca.
Porém, muitos economistas questionam qual é o papel atual do BNDES e os desafios de seu financiamento atual. Conforme destaca a Votorantim Corretora em relatório, o banco tem sido usado como uma espécie de amortecedor desde 2009 para implementar um modelo de crescimento mais baseado em consumo do que em investimento. Assim, a escolha deve ser feita entre crescer no curto ou no médio/longo prazo.
O consumo foi favorecido em relação à indústria, enquanto o setor industrial foi “ignorado”, não conseguindo manter o ritmo do outro setor. Isso dado o aumento das importações, que sustentam a demanda doméstica, ressaltam os analistas da Votorantim, Andre Parize e Carolina Lhano. A participação da indústria em relação ao PIB passou de 40% em 2004 para 30% em 2013, enquanto o setor de consumo e serviços seguiu uma tendência contrária, de 7% para 27%.
Esta é uma das críticas que se faz recorrentemente à política econômica brasileira. Um dos pontos que são mais ressaltados por economistas é que o Brasil deve se concentrar mais em investimentos de forma a aumentar a sua formação bruta de capital fixo, após anos em que a economia esteve fortemente baseada no consumo.
O que aconteceria se o BNDES mudasse a sua carteira?
Neste sentido, qual é o papel do BNDES e o que aconteceria se ele mudasse a sua carteira de empréstimos? Para os analistas do Votorantim, o banco pode ter um papel bastante importante nesta virada.
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Conforme apontam os analistas do Votorantim, o ministro da fazenda, Guido Mantega, vem sinalizando que o BNDES favorecerá a indústria pesada e de infraestrutura em relação aos outros setores na tomada de empréstimos. E, em caso de uma diminuição no financiamento e nos desembolsos do banco de fomento, sendo focado para apenas alguns setores, haveria os seguintes vencedores e perdedores:
Os vencedores seriam o setor de infraestrutura, este sendo considerado essencial para o desenvolvimento do Brasil. A expectativa é de que os empréstimos e subsídios estão sendo definidos para serem mantidos ao setor. Em caso de menores desembolsos do BNDES, o setor seria o menos prejudicado em caso de uma desaceleração da demanda interna, uma vez que é menso sensível para o crescimento econômico no curto prazo.
O segundo vencedor seria o setor de agronegócio, que vem apresentando uma evolução consistente e não deve ser afetado por um ambiente de menor demanda, devido à natureza de seu produto final e o fato de que uma parcela significativa de sua produção ser vendida no mercado externo, com o seu preço também sendo definido no exterior. Assim, ele se torna menos vulnerável à uma desaceleração da economia doméstica.
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Entre aqueles cujo impacto é neutro, está a indústria: apesar dos indícios de que os empréstimos e subsídios ao setor serão mantidos, os analistas veem o setor industrial como altamente exposto à uma atividade econômica mais fraca. Além disso, as empresas industriais são dependentes de subsídios do BNDES, não apenas para financiamento, mas também (e principalmente) para estimular a demanda.
Já entre os perdedores, está o setor de consumo e serviços, que estão mais expostos a uma possível rotação da carteira de investimentos do BNDES, uma vez que a nova carteira poderia favorecer o setor de infraestrutura, do agronegócio e da indústria. Em meio ao menor crescimento do PIB e num cenário de aumento de desemprego, o setor ficaria prejudicado.
Desta forma, a Votorantim reforça a sua preferência pelo setor de infraestrutura e também de agronegócios, tendo perspectivas positivas para quatro empresas: CCR (CCRO3), Cosan (CSAN3), JBS (JBSS3) e Tractebel (TBLE3).
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A CCR seria beneficiada de um cenário de maior investimentos em infraestrutura, enquanto a Cosan se apresenta como bem posicionada num ambiente de melhor dinâmica no setor de açúcar e álcool. Já a JBS possui uma boa exposição no mercado externo e seria pouco impactada com uma desaceleração econômica, enquanto a Tractebel possui uma diversificação em suas fontes de energia, ao mesmo tempo em que o risco de racionamento diminui.