Economia

Mudança nas expectativas ajudou a reduzir inflação no País, diz Ilan

O presidente do BC credita à política monetária o arrefecimento da inflação e a ancoragem das expectativas, que atualmente estão em torno de 4,5%

A mudança na política econômica e nas expectativas foram fundamentais para a redução da inflação no País, avaliou o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, nesta sexta-feira, 24, ao ministrar a aula inaugural do curso de graduação em economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. Ele lembrou que, no pior momento da crise, as pessoas achavam que a inflação ia continuar alta, a 8% ou 9%. “Chamo isso de inflação desancorada”, definiu.

O presidente do BC credita à política monetária o arrefecimento da inflação e a ancoragem das expectativas, que atualmente estão em torno de 4,5%. “Basicamente, a inflação hoje está ancorada. Com isso, conseguimos fazer muitas coisas, como tratar choques”, avaliou.

Goldfajn reconhece que houve impacto da indexação nos preços, mas também da demanda. “Tivemos bastante inflação de demanda. Tivemos desarranjo fiscal relevante. Tivemos estímulos diversos em várias áreas. Então boa parte da inflação no Brasil nesses últimos anos tinha de ser combatida e felizmente está sendo”, concluiu.

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Juro ‘ex-ante’

O conceito de juro real que é relevante é o do “juro real ex-ante”, afirmou Goldfajn. Ele definiu dois conceitos para o juro real. Um é o “ex-post”, calculado pela taxa de juro básica nominal, descontada a inflação passada dos últimos 12 meses. O outro conceito é o “ex-ante”, calculado pela taxa de juro básica nominal, descontada a expectativa de inflação dos agentes econômicos para os próximos 12 meses.

“O ex-ante é o juro real que um agente (econômico) olha que vai enfrentar nos próximos 12 meses”, explicou Goldfajn à plateia formada majoritariamente por estudantes. “O relevante é o juro real ex-ante, o que afeta as decisões. O que afeta as decisões é o que vai ocorrer e não o que ocorreu”, afirmou o presidente do BC.

Nas contas do presidente do BC, pelo conceito “ex-ante”, o juro real do Brasil hoje está entre 5,0% e 5,5% ao ano, em diversas formas de se calcular. “Em alguns casos, está um pouquinho abaixo de 5,0%”, disse Goldfajn.

O presidente do BC destacou ainda que o conceito ex-post é menos relevante também porque “é muito afetado pela surpresa inflacionária”, ou seja, uma aceleração ou desaceleração inesperada da inflação afeta o juro real. “Hoje, temos um determinado nível de juros e tem gente fazendo a conta com a taxa real do passado”, disse Goldfajn, reforçando que o conceito “ex-ante” é “a medida certa” e “é muito correlacionada com as coisas que afetam a economia”.