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SÃO PAULO – Observando os números dos últimos meses, as perspectivas para os mercados acionários de países emergentes são cautelosas. Grande parte dos analistas acredita que o recente rali foi exagerado, prevendo uma realização no curto e médio prazos.
O MSCI Emerging Market Index, índice do Morgan Stanley composto por 22 países emergentes, atingiu o maior patamar em oito meses. Conforme dados da EPFR Global, os fluxos para os mercados emergentes totalizaram US$ 12 bilhões. Vale ressaltar que a última vez que os fluxos atingiram tal nível, o benchmark caiu 8,4% nos quatro meses seguintes.
Os sinais, conforme interpretado pelo estrategista do Bank of America Merrill Lynch, Michael Hartnett, indicam uma queda iminente no MSCI Emerging Markets. Contando com o salto de 3,8% na última sessão, o benchmark já registra alta de 61% desde fevereiro.
Caro demais
Os múltiplos P/L (que medem a relação entre preço e lucro por ação) do índice do Morgan Stanley praticamente dobrou neste ano. Considerando os lucros reportados, o múltiplo chega a 15,2 vezes, o maior patamar desde dezembro de 2007, ano que marcou o início da crise nos Estados Unidos.
A percepção de que os mercados acionários dos mercados emergentes subiram além dos fundamentos é baseada também nas sinalizações de que a recuperação da economia chinesa está desacelerando desde meados de abril.
Prevendo uma queda no PMI da China, os analistas do Credit Suisse se unem a Hartnett na previsão por uma desvalorização dos mercados acionários de emergentes. Segundo eles, “as expectativas de uma forte recuperação econômica estão definitivamente muito altas”.
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Conforme dados compilados pela agência Bloomberg, a média da previsão dos analistas sugere uma queda de 2,9% nas ações de emergentes nos próximos 12 meses, enquanto os mercados acionários de países desenvolvidos devem registrar desvalorização maior, de 3,4%.
O outro lado
Embora muitos analistas projetem uma queda iminente, há outros que acreditam na continuidade do rali nos mercados emergentes, como é o caso de Arjuna Mahendran, estrategista de Ásia do HSBC Private Bank. Para ele, a alta deve durar outros seis meses, impulsionada por um crescimento econômico mais forte no grupo.
“Tem muito dinheiro procurando por retornos decentes e isso irá continuar a impulsionar os mercados emergentes”, argumenta Mahendran, acrescentando que “eles são o único lugar na Terra que está crescendo”.
Vale lembrar que as projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) são de crescimento de 1,6% nos mercados emergentes em 2009 e 4% em 2010, enquanto os países desenvolvidos devem ter contração de 3,8% neste ano e avanço nulo no próximo.