Temporada de balanços

MRV com trimestre fraco e Eztec em bom momento; os sinais das construtoras após as prévias do 3º trimestre

Empresas já reportaram resultados operacionais, que foram em larga medida impactados pela fraqueza no MCMV

Guindaste

SÃO PAULO – As construtoras Tenda (TEND3), MRV (MRVE3) e Eztec (EZTC3) divulgaram suas prévias operacionais do terceiro trimestre de 2019, tornando algumas coisas mais claras para o investidor. A principal delas é que as duas primeiras são as que mais sofrem com a falta de recursos do governo, o que também deve se refletir nos balanços a serem divulgados na primeira quinzena de novembro.

A MRV, por exemplo, registrou uma queima de caixa de R$ 200 milhões no terceiro trimestre deste ano. O analista Luis Stacchini, do Credit Suisse, entende que isso pode indicar que a necessidade de capital de giro para a compra de terrenos é maior do que a esperada e que a construção está se acelerando, mas em projetos que não são bem vendidos.

“A queda nos lançamentos já era esperada de alguma maneira e acreditamos que esse mercado deve se recuperar no quarto trimestre, mas as [Vendas Sobre Oferta] VSO fracas de 15% nos trazem o questionamento sobre se essa é a estrategia correta”, avalia Stacchini.

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No terceiro trimestre deste ano, os repasses das vendas do Minha Casa, Minha Vida comprometeram o caixa das empresas mais expostas ao programa.

De acordo com os analistas Victor Tapia e Roberto Waissmann, do Bradesco BBI, as restrições de crédito ao MCMV proporcionam um risco às estimativas de R$ 7 bilhões em lançamentos da MRV para 2019.

Na companhia, essas novas condições do mercado levaram a uma fraqueza nas vendas líquidas, que chegaram a R$ 1,4 bilhão no terceiro trimestre deste ano, o que representa um crescimento de 6% na comparação trimestral e de 19% na base anual.

A recomendação do Bradesco para a MRV é neutra com preço-alvo de R$ 18,00. Já o Credit Suisse espera desempenho acima da média do mercado (outperform). O Itaú BBA também tem recomendação outperform.

Com relação à Tenda, a equipe de análise do Credit Suisse viu os números como positivos, apesar do efeito das novas políticas governamentais.  “Na nossa visão, os resultados da Tenda indicam que a empresa pode conseguir compensar a menor margem bruta com mais lançamentos (e ganho de share), com a redução de recursos do [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço] FGTS e a Caixa mais seletiva na aprovação de crédito”, aponta o banco suíço.

O time de análise de construtoras do Itaú BBA, formado pelos analistas Enrico Trotta, Alex Ferraz, Gabriel Simões e Pablo Ordóñez, concorda com essa visão.

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Eles afirmam que a Tenda superou as projeções para lançamentos e pré-vendas. A empresa reportou R$ 761 milhões em lançamentos para o terceiro trimestre, o que representa um aumento de 32% na comparação anual e de 29% na trimestral com a expansão de suas operações na região metropolitana de Fortaleza (CE).

“As vendas contratadas também foram sólidas no trimestre, chegando a R$ 537 milhões (alta de 10% ano a ano e de 12% trimestre a trimestre) com uma velocidade de vendas sólida em 28%, apesar do mais restritivo processo de aprovação de crédito pelos bancos”, destacam os analistas do Itaú.

A transferência de recebíveis da Tenda, por outro lado, caiu 41% na comparação trimestral e 37% na anual, dado o bloqueio das concessões de hipotecas no MCMV no trimestre.

Para a Tenda, as recomendações são outperform para os três bancos, sendo o preço-alvo de R$ 30 para Bradesco, R$ 22 para Credit Suisse e R$ 29,70 para Itaú BBA.

Os analistas do Credit entendem que o fluxo de caixa livre da Tenda deve vir mais fraco e com os distratos aumentando no quarto trimestre devido às restrições de crédito. A recomendação do Credit Suisse para Tenda é de desempenho acima da média do mercado, com preço-alvo de R$ 22,00.

Não tão impactadas quanto as outras, a Eztec já atingiu o piso do seu guidance (conjunto de projeções que a empresa faz para suas atividades) de R$ 1,5 bilhão para 2019, com lançamentos totais de R$ 242 milhões no terceiro trimestre de 2019, o que significa uma queda de 23% em relação ao segundo trimestre e um acréscimo de 128% sobre o mesmo período do ano passado.

Para a equipe do Bradesco BBI, mesmo que os lançamentos ainda estejam sustentando a recuperação do segmento de alta renda, as vendas dos estoques estão começando a dar sinais de melhora, apresentando crescimento de 131% na base anual.

O Credit Suisse analisa que o bom momento operacional deve continuar, com o lançamento do Parque da Cidade no quarto trimestre podendo ajudar o aumento nas vendas.

“Com valuation de 2,4 vezes o P/BV [preço da ação dividido pelo valor patrimonial da empresa] acreditamos que não está barato [o papel], mas à medida que a companhia continuar surpreendendo positivamente, as ações devem manter o bom momento de curto prazo”, escreve a equipe do banco.

A expectativa para o resultado do terceiro trimestre, contudo, é de que a companhia mostre mais uma queima de fluxo de caixa livre. No primeiro semestre do ano, a Eztec já perdeu R$ 54 milhões nesse quesito.

A recomendação do Bradesco para a Eztec é neutra com preço-alvo de R$ 33. Já o Credit Suisse acredita em desempenho acima da média do mercado, com preço-alvo de R$ 26,00. O Itaú BBA está restrito na cobertura da empresa.

Confira o preço-alvo e o potencial de upside (valorização sobre o preço de fechamento na última terça-feira) para cada uma dessas empresas considerando o cálculo de todas as recomendações compiladas pela Bloomberg:

EmpresaTickerPreço-alvo médio (R$)Upside (%)
EztecEZTC337,13-9%
MRVMRVE320,1115,3%
TendaTEND325,8612,1%

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