MPEs querem procurar pequenos empréstimos de médio prazo

Diferentemente do que se poderia esperar, micro e pequenas empresas buscam empréstimos pequenos para capital de giro

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SÃO PAULO – As necessidades de capital de terceiros das MPEs se diferenciam em muito das necessidades semelhantes de médias ou grandes empresas, diferenças que existem, principalmente, pelo modo de gerenciamento dessas empresas e de seu pequeno movimento financeiro.

Enquanto as empresas médias e grandes procuram linhas de crédito que permitam a expansão produtiva e uma maior penetração de mercado, as MPEs se vêem obrigadas a recorrer a recursos de terceiros para financiar necessidades muito mais imediatas e urgentes.

Problemas urgentes criam a necessidade

Segundo uma recente pesquisa do Sebrae, realizada com MPEs do estado de São Paulo, das 212 empresas que admitiram ter interesse em tomar empréstimos bancários, mais da metade delas (55%) se vêem na necessidade de procurarem linhas de crédito para financiar o pagamento de mercadorias e insumos para produção, ou seja, para compor o capital de giro da empresa.

Os empréstimos para investimentos em equipamentos e reformas na empresa são considerados por uma média de 35,5% dos empresários entrevistados. Além disso, tomar dinheiro emprestado para pagar dívidas das empresas também é considerado por 21% dos empresários.

Esses dados deixam claro que muitas MPEs, mais do que se imaginava, ou passam por momento difíceis, sem recursos para formar um capital de giro próprio, ou então não são bem gerenciadas e acabam por ficar em dificuldades.

O capital de giro para as MPEs é muito mais importante que para empresas médias ou grandes, dado as dimensões muito menores de suas compras de mercadorias e insumos e, conseqüente, menor poder de negociação com fornecedores e linhas de crédito muito mais limitadas com os mesmos.

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Empréstimos pequenos, baratos e rápidos

A pesquisa do Sebrae foi um pouco mais além e determinou o perfil do tipo de empréstimos que mais interessam às MPEs, de acordo com seu valor, prazo para pagamento e taxa de juros. A grande maioria das empresas que participaram da pesquisa, 73%, afirmou desejar empréstimos menores que R$ 20 mil, sendo que a maior demanda é por empréstimos entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, indicado por 29% das empresas.

A maioria dessas empresas, 66%, também deixou claro que desejam um prazo relativamente curto para o pagamento dos empréstimos tomados, menor que 30 meses. A preferência se dá primeiramente por prazos entre 24 e 30 meses (31%) e entre 12 e 17 meses (20%).

Em relação às taxas de juros desses empréstimos, a grande maioria das empresas, 45%, afirmou ter como viável juros máximos de 1% ao mês. Outros 32% das empresas afirmaram que esses juros mensais não poderiam ultrapassar 2% ao mês.

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O desejo e a realidade

É perfeitamente compreensível que os micro e pequenos empresários queiram se endividar pouco e pagar possíveis empréstimos o quanto antes, afinal de contas, o endividamento pode e acaba sendo um grande problema para a grande maioria das MPEs, principalmente pela dimensão dos encargos com juros.

A preferência por linhas de crédito com juros menores, mais de acordo com a realidade financeira das MPEs, vai de encontro com a propostas de muitos programas de financiamento e linhas de crédito especialmente desenvolvidas pelo governo para essas empresas.

É interessante notar que a pesquisa do Sebrae foi levada a 411 empresas do estado de São Paulo e que 49% delas afirmaram não terem interesse em tomarem empréstimos bancários. As três razões mais apontadas para tal são a descrença nesse tipo de financiamento (38%), falta de necessidade (29%) e temor de não conseguirem pagar (24%).

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O conjunto dos dados acima é um forte indício de que as formas, necessidades e usos das linhas de crédito bancárias, oficiais e privadas, para MPEs ainda é pouco compreendida, pouco usada e, principalmente, mal usada pelo micro e pequeno empreendedor, algo que deve ser analisado com cuidado para se encontrar formas de disseminar conhecimento a respeito e melhorar a saúde financeiras das MPEs brasileiras como um todo.