Movida (MOVI3) dobra lucro líquido, que fica em R$ 136 milhões no 2º tri

A companhia divulgou seu balanço na noite desta segunda-feira (10)

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A Movida (MOVI3) divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026 na noite desta segunda-feira (10). A companhia teve lucro líquido de R$ 136 milhões, com alta de 101% na comparação com o mesmo período do ano passado. Analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$127 milhões para a Movida no segundo trimestre, segundo dados da LSEG.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 1,6 bilhões, recorde para a companhia. A margem Ebitda também teve alta e ficou em 71,6%. A receita líquida ficou em R$ 3,7 bilhões, também recorde para a companhia.

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“O primeiro grande destaque é o ganho consecutivo de market share. Crescemos 22% em volume de diárias. No primeiro trimestre, crescemos 18% e agora isso, acima da concorrência. E o ganho é com rentabilidade, não estamos comprando o mercado. Investimos muito nos últimos dois anos na experiência do cliente”, afirma Gustavo Moscatelli, CEO da Movida, em entrevista ao InfoMoney. A companhia atraiu mais de 730 mil novos clientes de RAC nos últimos doze meses, alta de 15%.

Recordes em receita, Ebitda, Ebit e ROIC

A receita líquida consolidada somou R$ 3,766 bilhões no trimestre, recorde histórico, com alta de 2,4% na comparação anual — na locação, o avanço foi de 21%, para R$ 2,295 bilhões. O Ebitda consolidado também bateu recorde, em R$ 1,687 bilhão (+22,3%), assim como o Ebit, em R$ 1,015 bilhão (+29,3%). O ROIC dos últimos doze meses atingiu 16,7%, alta de 4,0 pontos percentuais ante o 2T25, também recorde da série histórica.

“O indicador que mostra a produtividade de qualquer negócio, que é a margem, foi a margem recorde da companhia da história dela. Esse foi o melhor trimestre da história do ponto de vista de margem”, disse Moscatelli, referindo-se à divisão de RAC (aluguel de carros), cuja margem Ebitda chegou a 68,9% no trimestre, também recorde desde o IPO da companhia.

Unidades de negócio

No RAC, o volume de diárias somou 7.413 mil no trimestre, alta de 22% ante o 2T25, com tarifa média de R$ 165 (+7%, acima da inflação) e taxa de ocupação de 76,2%, alta de 2,1 pontos percentuais. Considerando a ocupação total da frota, o indicador saltou 5,4 pontos percentuais, para 66,0%.

Na Gestão e Terceirização de Frotas (GTF), a companhia destacou a assinatura de contratos com yield mensal de 3,7%, ante 3,5% um ano atrás — acima do yield médio de 3,2% da carteira vigente atualmente. “O que eu estou mostrando é: estou assinando com 3,7%, então a rentabilidade vai crescer, e ao mesmo tempo a taxa de juros tende a cair. É uma combinação espetacular do ponto de vista de geração de valor”, afirmou o CEO, lembrando que os contratos de GTF são de longo prazo e o ganho ainda não apareceu de forma plena no resultado.

O backlog de receita da divisão somou R$ 9,827 bilhões, alta de 40%, e a margem Ebitda também atingiu recorde desde o IPO, em 77,9% — a divisão já responde por 53% do Ebitda total da companhia.

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Na divisão de seminovos, o volume de carros vendidos recuou no trimestre (de 25.917 para 19.414), mas por uma decisão estratégica: diante da forte demanda por aluguel no RAC, a companhia optou por manter mais veículos locados em vez de desmobilizá-los para venda. “Foi uma questão de gestão de portfólio. Mas, se olhar a produtividade dos seminovos, foi muito boa”, disse Moscatelli. O giro do estoque avançou 55%, de 0,5 vez para 0,8 vez ao mês, com a margem Ebitda da divisão estável em 1,1%.

Desalavancagem segue e deve acelerar no fim do ano

A alavancagem (dívida líquida/Ebitda) recuou de 3,2 vezes um ano atrás para 2,66 vezes no 2T26 — 2,46 vezes considerando o Ebitda anualizado —, mas ficou estável na comparação com o 1T26. Segundo o CEO, isso decorre da sazonalidade: a companhia concentra as compras de veículos no quarto trimestre, para atender à alta demanda do verão, e paga por elas no primeiro semestre seguinte. “Agora, daqui para frente, você tem muito menos desembolso, então vai gerar muito mais caixa e vai reduzir a alavancagem até o final do ano”, afirmou.

A dívida líquida da companhia somava R$ 17,2 bilhões ao fim do trimestre, com prazo médio de 3,9 anos e custo médio de CDI + 1,8% ao ano. A Movida também anunciou, em agosto, alongamentos de R$ 1,6 bilhão em dívidas, incluindo a rolagem de R$ 1,1 bilhão em debêntures com vencimentos até 2033.

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Guidance do 3T26 é o dobro do ano passado

A companhia elevou o guidance de lucro líquido para o terceiro trimestre, para uma faixa entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões — o dobro dos R$ 70 milhões registrados no 3T25. Segundo Moscatelli, o número já reflete o desempenho observado em julho.

“Foi espetacular, foi surpreendente em volume, em preço, em mix de venda, em canal de venda”, disse. Com isso, o lucro acumulado em nove meses pode somar R$ 400 milhões, ante R$ 216 milhões no mesmo período de 2025 — o que faria o resultado dos nove meses superar em 26% o lucro de todo o ano de 2025.

Próximos passos: mais lojas, mais Pit Stop e IA no WhatsApp

Entre as iniciativas ainda em maturação, a companhia soma 124 lojas físicas no país (27 a mais que no 2T25) e abriu 12 novas lojas de seminovos apenas no primeiro semestre, movimento que deve continuar. A rede de centros de manutenção rápida Pit Stop, iniciativa que já reduziu em 25% os gastos com manutenção segundo a companhia, deve chegar a cerca de 40 unidades até o fim do ano.

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A Movida também avança no projeto de atendimento via inteligência artificial no WhatsApp, desenvolvido em parceria com a Meta, que já mais que dobrou a taxa de conversão no canal — hoje, 85% dos atendimentos são resolvidos sem intervenção humana. “A gente está no processo agora de montar toda a infraestrutura de back-office da locação no WhatsApp”, disse o CEO, que estima concluir a expansão do projeto em 45 a 60 dias.

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Camille Bocanegra
Mercados | Investimentos | Mundo

Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.