MorningStar olha para fundos e questiona: seu gestor está operando demais?

Mudanças nas estratégias podem indicar incertezas nas decisões; altos volumes de negociações elevam custo para o investidor

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SÃO PAULO – À medida que se aumenta o volume de negociações em um fundo de investimentos, melhor será a rentabilidade auferida em um determinado período ou maiores são às incertezas do gestor e, como decorrência, o risco de potenciais perdas?

A questão é complexa, ao passo que a escolha de qual estratégia é melhor (inércia ou movimentação) depende do panorama nos mercados. Inserida no debate, a MorningStar publicou artigo sobre o tema, ao analisar a velocidade da mudança de alocações nos fundos.

Estratégia definida, mudanças problemáticas

Como exemplo, o website lista dois fundos com olhares diferentes: o Brandywine, que realiza várias negociações de compra e venda de ações, a fim de aproveitar condições específicas do mercado; e o Sequoia, que compra papéis e os mantêm no portfólio por um período mais longo, até por décadas.

Mais do que a estratégia a ser escolhida, o principal fato para se atentar é se houve uma mudança muito brusca na tática utilizada anteriormente. De acordo com a MorningStar, há diversos tipos de investidores – do conservador ao agressivo – e por isso ambos tipos de investimentos são válidos.

Por outro lado, uma forte alteração no perfil do fundo pode sugerir uma luz amarela, dado que talvez aquela gestora não seja mais adequada ao investidor que alocou recursos antes da mudança. Em outras palavras, um investidor cauteloso não deseja oscilações tão frequentes quanto um outro mais arrojado.

Excepcional

“Tenha em mente que as mudanças de posições entre 2008 e 2009 pode ser um pouco fora do comum, dada a reviravolta do mercado”, discorre o website, ao ressaltar que a análise deve ser cuidadosa, a fim de evitar distorções. Nesse sentido, a MorningStar lista o caso de Bruce Berkowitz, gerenciador da Fairholme, que realizou muito mais negociações do que o usual.

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De olho nas valuations, Berkowitz vendeu muitas ações do setor petrolífero no meio do ano passado, antes dos preços das commodities despencarem das máximas históricas. Em contraparte, o gestor comprou ações da Pfizer. “Para um olho sem preparo, uma mudança desta magnitude seria alarmante, mas Berkowitz não mudou sua estratégia de investimentos e simplesmente se encheu de barganhas”, completou o website.

Custos das alterações

Nas linhas finais, independente do momentum do mercado, a MorningStar lembra que fundos com alto volume de negociações podem ser muito mais prejudiciais às carteiras dos investidores. “Isso ocorre pois há custos de transação nos fundos cada vez que o gestor vende ou compra as ações”, explica o website. Desta forma, para aqueles que desejem um resgate só no longo prazo, é melhor se atentar se o volume de negociações não antecipa seu lucro futuro com custos no curto prazo.