Morningstar elege Brasil como preferido entre emergentes

Casa rechaça alocação na África do Sul e lista o México ao lado do Brasil como maiores oportunidades nesse grupo de países, diante da fortaleza de empresas como Petrobras e Vale

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A Morningstar mantém distância das ações sul-africanas em seus portfólios globais, já que o crescimento econômico relativamente fraco do país pesa mais do que as valuations baratas. A postura contrasta com a posição overweight (equivalente a compra) da gestora, que administra US$ 375 bilhões, em mercados emergentes. Segundo Sean Neethling, chefe de investimentos da empresa na África do Sul, Brasil e México são as principais apostas fora da Ásia.

O índice FTSE/JSE All Share acumula queda superior a 4% em dólares neste ano e caminha para o primeiro recuo anual desde 2022. No mesmo período, o indicador de ações emergentes MSCI sobe 21%, impulsionado principalmente por empresas asiáticas ligadas à inteligência artificial (IA).

De acordo com Neethling, que supervisiona cerca de 60 bilhões de rands (US$ 3,7 bilhões) em carteiras denominadas em rand e em dólar, Johannesburgo ficou de fora dos fluxos globais de recursos por causa do crescimento econômico apagado e da escassez de exposição ao boom da IA.

“Se você olhar para a África do Sul no nível das empresas, não há muitas na linha de frente do que está movendo os mercados agora em inteligência artificial e tecnologia”, disse Neethling em entrevista. “A África do Sul não tem esse fator de crescimento que muitos outros mercados emergentes têm neste momento.”

A maior economia da África cresce menos de 1% ao ano há mais de uma década, e os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Irã pesam sobre a indústria, o comércio e a produção de mineração. Neste mês, o Banco Central sul-africano (SARB, na sigla em inglês) elevou os juros pela segunda vez no ano, o que pressiona ainda mais a atividade.

Os ganhos da bolsa sul-africana nos últimos 12 meses foram puxados por mineradoras de ouro e platina, que perderam força com o recuo nos preços desses metais.

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Já o Brasil, segundo Neethling, conta com grandes empresas como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), ligadas a diferentes etapas do ciclo das commodities, além de bancos bem capitalizados. O México, por sua vez, oferece uma “mistura industrial e de bens de consumo básicos”, com companhias robustas como a engarrafadora Coca-Cola Femsa.

A China é a maior convicção de investimento da Morningstar entre os emergentes, e a Coreia do Sul é outra aposta relevante. A bolsa coreana, que recuou 24% desde a máxima de 22 de junho, está agora “atrativamente precificada”, afirmou Neethling.

Embora investidores estrangeiros possam ter cautela, os ativos sul-africanos oferecem valor para quem investe em rand, segundo o executivo. A Morningstar está overweight nos títulos do país, que têm yields atrativos em relação a pares emergentes e a papéis de mercados desenvolvidos.

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“Para investidores em rand, a África do Sul oferece um valor realmente atrativo e convincente, principalmente no mercado de títulos, onde os yields absolutos e até o vencimento estão entre os mais atrativos dos emergentes, atrás apenas do Brasil”, disse Neethling.

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