Otimismo

Morgan Stanley vê Ibovespa a 105 mil pontos em 2020, mas alerta para risco de corte juros do Fed

Instituição está otimista com os mercados da América Latina e aponta que sete de suas dez ações favoritas na região são brasileiras 

SÃO PAULO – Em meio ao cenário de maior tensão nos mercados nos últimos dias, a equipe de analistas do Morgan Stanley se diz otimista com a América Latina, em especial o Brasil, Peru e Chile. Isso por conta de um histórico de alta das ações da região quando o Federal Reserve encerra seu ciclo de alta de juros, como estamos vendo agora.

Em geral, o Morgan projeta uma alta de 17% em dólar nas ações de América Latina até o meio de 2020. No caso do Brasil, a expectativa é ainda maior, de ganhos de 20% – ou 11% em moeda local -, com o Ibovespa chegando a 105 mil pontos. Já o dólar deve cair para a casa dos R$ 3,65 nos próximos doze meses.

Além disso, os analistas apontam também que sete de suas dez ações favoritas na região são brasileiras: PagSeguro (que não é negociada na B3), Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), IRB (IRBR3), OdontoPrev (ODPV3), Cemig (CMIG4) e Localiza (RENT3).

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A tese de investimento dos analistas é sustentada por quatro fatores: a) a atual pausa no ritmo de aperto monetário nos EUA; b) potencial aprovação e implementação de reformas em toda a América Latina; c) sólido crescimento do PIB real interno e melhora dos lucros das empresas; e d) altos preços das commodities.

Em relação aos países, os favoritos do Morgan são Brasil, Peru e Chile, devido à potencial “consolidação fiscal” e à recuperação econômica cíclica, além do impacto da manutenção da política monetária americana.

“Os investidores deve estar confiantes sobre a atual postura de manutenção de juros pelo Fed”, afirmam os analistas citando uma análise histórica indicando alta de 23% do índice MSCI Latam um ano após o fim de ciclo de alta das taxas.

Apesar do otimismo, o Morgan alerta para um risco de corte de juros nos EUA. É comum o investidor ligar este tipo de mudança a algo positivo para os emergentes, já que tira a atratividade dos títulos americanos, que passam a render menos, levando os investidores para mercados com juros maiores, ou seja, com melhor retorno.

O Morgan, porém, mostra que, se o Fed reduzir as taxas nos próximos meses, será por consequência do risco de uma possível recessão nos EUA, e por isso o corte de juros seria bastante prejudicial para os mercados da América Latina também, sendo o maior perigo para a região neste momento.

“Historicamente, o início de um ciclo de flexibilização do Fed (corte de juros), que é consistente com uma perspectiva de crescimento mais fraca para a economia dos EUA, geralmente coincide com uma correção material nos ativos emergentes”, concluem os analistas.

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