Morgan Stanley vê Espanha com potencial para se tornar a nova Alemanha

Para analista, recessão não assusta e baixo custo de trabalho e crescimento das exportações podem fazer da Espanha o novo país mais forte da zona do euro

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SÃO PAULO – Mesmo vivendo em uma recessão, o crescimento das exportações na Espanha pode fazer o país roubar o posto de mais forte da Europa, que atualmente pertence à Alemanha, de acordo com os analistas do Morgan Stanley.

Para os analistas Joachim Fels e Sung Woen Kang, “a Espanha, onde os custos de trabalho estão caindo devido à recessão, e onde as exportações estão fortes, segue para ser a próxima Alemanha da zona do euro”. Além disso, eles destacam que a Alemanha está sendo ajudada por taxas menores de juros, aumento dos salários e dos preços dos imóveis. Para eles, o país vai ver sua demanda doméstica melhorar, enquanto sua competitividade externa deve cair.

Em entrevista para a CNBC, Fels disse que deve levar de três a cinco anos para a Espanha rivalizar com a Alemanha como líder em exportações, e que os custos de trabalho no país continuarão baixos mesmo após a recessão. Porém, ele ressalta que o desemprego deve se manter alto nos próximos anos.

Para o professor Moorad Choudhry, da Universidade de Brunel, a melhora da economia espanhola se dará mais pela produtividade e pela competitividade que pelos custos do trabalho. Se não fosse isso, “nós poderíamos olhar para o custo salarial de Bangladesh de um dólar por dia e concluir que o país irá passar a Alemanha na tabela de exportações”, diz.

Choudhry complementa que a economia espanhola ainda tem oito ou nove deficiências para serem trabalhadas. Para ele, o país sofre de gargalos na oferta, com rigidez do mercado de trabalho, uma burocracia sufocante, entre outros fatores. Com isso, o professor diz que é cedo para sugerir que a Espanha seja a nova Alemanha.

Para a Comissão Europeia e para o BCE (Banco Central Europeu), a economia da Espanha ainda está em uma situação bastante desafiadora, com altas taxas de desemprego, contração do PIB (Produto Interno Bruto) e a necessidade de redução da dívida, tanto interna quanto externa.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.