Morgan Stanley eleva recomendação de C&A para compra e ação dispara 5%

Banco também apontou tendências para o varejo em 2026

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Varejo (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Varejo (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Publicidade

Após a recente correção, o Morgan Stanley elevou a recomendação para ações da C&A (CEAB3) de equal-weight (exposição igual a média do mercado, equivalente à neutro) para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), mas cortou o preço-alvo de R$ 21,50 para R$ 19,5. Ainda assim, o novo valor representa um upside (potencial de valorização) expressivo de 75% frente a cotação de fechamento da última quinta-feira (22), de R$ 11,10.

O banco destaca a melhora operacional e enxerga espaço para múltiplos vencedores no varejo de vestuário brasileiro. Por volta das, 10h21, as ações da varejista subiam 5,77%, a R$ 11,74.

Mercado Livre (MELI34)

O Morgan Stanley reitera recomendação de compra para Mercado Livre, com preço-alvo US$ 2.950, pois vê múltiplos atrativos ajustados ao crescimento, com 32 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) estimado para 2026 e 22 vezes para 2027, para uma taxa média de crescimento anual (CAGR) de 35% entre 2024 e 2027.

Oportunidade com segurança!

O banco espera uma aceleração da rentabilidade no segundo semestre, com fim do impacto do frete grátis no Brasil e impulso de publicidade e crédito. O Morgan Stanley também vê a empresa pode seguir ganhando participação de mercado mesmo com concorrentes internacionais.

Lojas Renner (LREN3)

O Morgan Stanley também reitera recomendação equivalente à compra para ações da Lojas Renner, com preço-alvo R$ 18,5, considerando a avaliação atrativa de 9 vezes P/L para 2026, rendimento de dividendos em torno de 3%, programa de recompra de ações equivalente a 7,5% do free float e crescimento estimado de 11% no lucro ajustado.

Vivara (VIVA3)

O banco mantém classificação de compra e preço-alvo de R$ 40, uma vez que enxerga ponto de entrada atrativo após o papel da Vivara cair 19% no ano e negociar 8,7 vezes P/L estimado para 2026.

Continua depois da publicidade

Além disso, o banco considera exageradas as preocupações com desaceleração no curto prazo.

Azzas 2154 (AZZA3)

Por outro lado, o banco optou por rebaixar ações da Azzas para equal-weight (exposição igual a média do mercado, equivalente à neutro), com preço-alvo R$ 30,5. Após problemas operacionais e incertezas sobre sinergias, o banco vê a empresa como uma história de “provar na execução” e cortou estimativas.

GPA (PCAR3)

Apesar de avanços operacionais, a casa se mostra cautelosa com a alavancagem e contingências, reduzindo o preço-alvo para R$ 3 e mantendo recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda).

Magazine Luiza (MGLU3)

O Morgan Stanley também reitera classificação de venda para ações do Magalu, com preço-alvo de R$ 8, uma vez que considera cedo para esperar uma virada operacional em 2026, diante do efeito defasado dos juros elevados.

Casas Bahia (BHIA3)

O Morgan Stanley mantém recomendação de venda e preço-alvo de R$ 3. Apesar de esforços para reduzir a dívida, a visibilidade para retorno ao lucro ainda é limitada, segundo o banco.

O que deve mover o varejo em 2026

O Morgan Stanley também traçou um panorama para o varejo em 2026, destacando tendências que devem moldar o desempenho do setor, desde o início do ciclo de queda de juros no Brasil até a forte expansão do comércio eletrônico e o avanço do uso de inteligência artificial.

Continua depois da publicidade

Apesar de um cenário macro misto, com crescimento mais fraco do varejo físico brasileiro, os analistas veem oportunidades seletivas, especialmente em empresas bem posicionadas para capturar a digitalização, ganhar participação de mercado e ampliar a rentabilidade.

Riscos para varejo

Para analistas, a concorrência internacional e o cenário macroeconômico seguem como fatores de incerteza. Plataformas globais como Shopee, Amazon, Temu e TikTok Shop operam na região, e uma eventual intensificação competitiva poderia pressionar margens no e-commerce latino-americano em 2026, especialmente no Brasil.

No vestuário brasileiro, a entrada da H&M é vista como ainda sem impacto relevante no curto prazo, num setor fragmentado e com alta tributação, o que limita a chegada de novos competidores estrangeiros.

Continua depois da publicidade

No front macro, varejistas discricionários seguem sensíveis aos juros, custos financeiros e capital. A equipe econômica do banco projeta a Selic em 11,5% no fim do ano, ante 15% atualmente, enquanto as eleições adicionam incerteza.