Morgan Stanley eleva projeções para o PIB brasileiro em 2009 e 2010

Analistas dizem que expansão do crédito pode impulsionar a atividade; setor privado deve aumentar empréstimos

Publicidade

SÃO PAULO – O Morgan Stanley revisou as suas expectativas para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e agora projeta que o indicador real recue apenas 0,5% em 2009, em comparação com a queda de 1% prevista anteriormente. Já as projeções para 2010 avançaram de crescimento de 2,5% para 3,5%.

Segundo a instituição, o desempenho positivo de indicadores importantes, como índices de desemprego e confiança do consumidor, contribui com a perspectiva. Entretanto, a expansão do crédito é apontada como um tema chave para o crescimento doméstico em 2010, já que influencia decisões de consumo e investimento.

Apesar de ainda abaixo dos padrões internacionais, o crédito no Brasil tem avançado – dados de junho apontavam crescimento de 19,7% em comparação com o mesmo mês em 2008, atingindo um recorde de 43,2% do PIB em junho deste ano. O principal responsável é a concessão de crédito a indivíduos, impulsionado pela diminuição das taxas de juro e maiores prazos para quitação dos empréstimos.

O setor de habitação é o que tem mostrado maior avanço neste ano. Atualmente, os empréstimos para moradias correspondem a apenas 2% do PIB, mostrando potencial para crescimento de longo prazo.

Canais de crédito

Os analistas também avaliam o papel dos três principais canais de concessão de crédito no País: os bancos privados, responsáveis por 61,4% dos empréstimos (41,6% dos bancos são instituições nacionais); bancos públicos, que responderam por 38,6% do mercado de crédito em junho; e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que representa 17,3% dos empréstimos.

O setor público foi responsável por cerca de 60% da expansão de crédito nos últimos 12 meses. “Os bancos públicos fizeram o trabalho pesado este ano, aumentando o crédito doméstico, mas a concessão de crédito em bancos privados deve continuar a crescer em 2010, com a melhora da economia local e a baixa taxa de juros”, explicam os analistas do Morgan Stanley.

Continua depois da publicidade

Além dos três canais tradicionais, o banco aponta o mercado de ações como opção para obtenção de crédito, citando as recentes aberturas de capital na bolsa de valores como fonte de investimentos. Invertendo uma tendência dos últimos anos, os empréstimos do BNDES e as concessões obrigatórias a setores específicos da economia – como agricultura e moradia – também cresceram em 2009.

Riscos do crédito

Entretanto, o Brasil deve considerar as implicações econômicas da expansão de crédito. “Encorajar os bancos públicos a aumentar os empréstimos é bom para a economia em curto prazo, mas há custos fiscais caso esses empréstimos não sejam pagos”, explicam os analistas. Por isso, monitorar as taxas de inadimplência é importante – que subiram para 4,4% em junho, em comparação aos 4,3% de maio. Para o Morgan Stanley, esse índice ainda deve crescer.

Com a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) sinalizando o fim dos cortes nas taxas de juros, o mercado deve começar a se preocupar a respeito de quando as taxas voltarão a subir. Para o Morgan Stanley, a indicação de que isso possa acontecer no primeiro trimestre de 2010, devido a expansão muito rápida do crédito, seria cedo demais. Segundo os analistas, essa alta deveria ocorrer somente no segundo semestre do ano.

Continua depois da publicidade

Projeções para o real

Com as melhores projeções para o PIB, os analistas esperam que o sentimento dos investidores leve a entrada de capital no País, e também revisaram as expectativas para o real, que passaram de R$ 2,10 por dólar para R$ 1,90 em 2009 e de R$ 1,90 por dólar em 2010 para R$ 1,80.