Morgan Stanley corta target de Suzano, com preocupação sobre alavancagem

Santander também indica maior risco financeiro da companhia um dia após a divulgação de um capex acima do esperado

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SÃO PAULO – O capex divulgado pela Suzano (SUZB5) na última quarta-feira (8) parece não ter agradado analistas ou investidores, que penalizam a ação nesta sessão. De modo geral, a preocupação das equipes de research que cobrem a companhia é com o nível de alavancagem, que pode ser comprometido por um plano de investimentos maior do que o esperado.

O Morgan Stanley, por exemplo, manteve a recomendação equal-weight, mas decidiu cortar o preço-alvo dos papéis de R$ 15,20 para R$ 14,20 após o anúncio – um upside de 8,39% sobre o último fechamento. Na véspera, o Citigroup também havia cortado o target dos ativos. 

Os analistas Carlos de Alba, Bruno Montanari e Alfonso Salazar afirmaram que o capex para 2011 e 2012 veio acima das expectativas, e coloca em dúvida como a empresa manterá sua alavancagem abaixo do patamar limite.

Oferta de ações? 
“A diretoria da empresa disse claramente que não fará uma emissão de ações em 2011 e que essa é a última opção em 2012, mas nossos números mostram que essa alternativa pode acabar se tornando realidade”, escreveram em relatório.

O Santander, por sua vez, afirma que o adiamento do projeto da empresa no Piauí para 2016 “não deve diminuir as preocupações do mercado sobre uma oferta de ações”. Felipe Reis, Alex Sciacio e Victoria Santaella destacam que a decisão foi “sábia”, mas deve aumentar a alavancagem da empresa – o que, por sua vez, deve dar fôlego a preocupações sobre uma oferta de ações, o que deve pesar sobre os papéis.

Outras opções
Outras opções de financiamento, segundo a própria Suzano, seriam a venda de ativos, venda de produção futura de energia e terceirização de atividades. A empresa, contudo, não deu detalhes sobre essas possíveis operações. “Não acreditamos que o montante obtido por esses desinvestimentos será suficiente para mitigar as preocupações com o nível de endividamento”, aponta o Santander.

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Dois anos
O Santander acredita que a maior percepção de risco financeiro após a divulgação de um capex maior do que o esperado – combinada a um adiamento de projetos – pode pressionar os papéis no curto prazo, trazendo uma perda de momentum para a ação.

Entretanto, a pressão sobre a empresa pode se estender, de acordo com o banco. A expectativa do trio de análise é que o fluxo de caixa e, consequentemente, a alavancagem, sigam pressionados pelos próximos dois anos, mesmo considerando o cenário mais otimista.

O banco, contudo, não alterou sua recomendação e preço-alvo dos papéis, que seguem como “compra” e R$ 22, um potencial de valorização de 67,9% em relação ao fechamento da véspera.