Moody’s afirma ratings e perspectiva estável para a Braskem

Após aquisição da Quattor, agência afirma ratings corporativos Ba1 na escala global e Aa2.br na escala nacional

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SÃO PAULO – A agência de classificação de risco Moody’s afirmou os ratings da Braskem (BRKM5) e os manteve com perspectiva estável após a aquisição da Quattor nesta sexta-feira (22). A ação engloba os ratings corporativos Ba1 na escala global e Aa2.br na escala nacional.

Segundo o relatório, “a aquisição da Quattor é considerada positiva para a Braskem do ponto de vista operacional, transformando a empresa na maior petroquímica das Américas, com posição de mercado fortalecida no Brasil, a qual deverá se traduzir em melhor disciplina de mercado e menor volatilidade de sua margem operacional e fluxo de caixa”.

Além disso, a agência comenta que o acréscimo de nove plantas no Rio de Janeiro e em São Paulo vai melhorar a diversidade operacional da empresa e uma maior otimização logística, reduzindo as despesas com frete.

Incorporações
De acordo com a Moody’s, a Braskem possui um “histórico bem sucedido” de incorporações de novos ativos. É esperado pela agência que esta operação resulte em ganhos significativos provenientes de sinergias e melhoras operacionais.

“Na nossa visão, os ganhos imediatos devem ser capturados primeiramente através da melhora estratégica comercial, logística e otimização de capacidade da Quattor”, comentam.

Rating corporativo
Segundo a Moody’s, a afirmação do rating corporativo da Braskem é “suportado por sua margem operacional acima da média do setor, a qual resulta de taxas de capacidade de utilização historicamente elevadas, relacionamentos de longo prazo com clientes, customização de produtos e barreiras relacionadas a logística para a importação de resinas termoplásticas”.

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Além disso, a agência destaca “a alta exposição da Braskem aos preços voláteis de nafta, sua baixa diversificação geográfica e operacional em comparação com seus pares internacionais, e o risco de evento associado ao processo de internacionalização da empresa, que inclui investimentos em projetos em países vizinhos com risco soberano mais alto que o Brasil”.

Vale ressaltar os fatores considerados positivos ao crédito, como consta no relatório da Moody’s, como o nível de informações enviadas pela empresa, considerado “acima da média”, as boas práticas de governança e a participação da Petrobras na empresa.

Perspectiva estável
A perspectiva estável para a Braskem é baseada na expectativa de que a empresa mantenha sua liderança no mercado doméstico de resinas termoplásticas, uma melhora nas margens consolidadas, uma administração prudente de sua posição de liquidez e estrutura de capital.

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“Esperamos que a Braskem mantenha uma posição de caixa de, no mínimo, R$ 3 bilhões como reserva de liquidez, e que extenda o prazo médio de vencimento de sua dívida pro-forma para a aquisição da Quattor”, explica a Moody’s.

A liquidez da empresa, segundo a agência, deverá permanecer “robusta” apoiada por uma injeção de capital de até R$ 5 bilhões, que deverão ser utilizados para saldar as dívidas elevadas da adquirida.

Com isto, a alavancagem consolidada, medida pela dívida líquida total ajustada pelo Ebitda (geração operacional de caixa), deverá aumentar cerca de 3,2 vezes após a operação e reduzir para 3,0 vezes à medida da obtenção da sinergias.

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“Além disso, a perspectiva estável assume que os projetos na Venezuela sejam estruturados de maneira a isentar a Braskem de quaisquer obrigações além da contribuição de capital prevista de 15%”, sinaliza a agência.

Possíveis alterações de rating e perspectivas
Positivo
A Moody’s não prevê uma pressão positiva sobre o rating ou perspectiva da empresa no curto prazo, dada a alta alavancagem da empresa para sua categoria de rating. Mas caso a alavancagem diminua para um nível que a agência considera ser “mais compatível com o caráter volátil dos fluxos de caixa da Braskem”, com dívida líquida total ajustada pelo Ebitda se estabilizando próximo a 2,5 vezes, também pode ocorrer uma elevação.

Na comparação, uma elevação exigiria que a empresa mantivesse uma liquidez forte e, por fim, uma capacidade de manter as margens Ebitda acima de 15% durante um ciclo de baixa econômica na indústria global.

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Negativo
Uma pressão negativa sobre o rating ou perspectiva aconteceria caso a empresa apresente uma administração de liquidez mais fraca ou uma alavancagem constantemente alta, com fluxo de caixa retido pela dívida líquida total ajustada materialmente abaixo de 20% e dívida líquida total ajustada pelo Ebitda acima de 3,0 vezes.

“Ademais, o rating ou perspectiva poderiam ser afetados negativamente caso a Braskem assuma riscos mais altos do que os previstos nos projetos na Venezuela”, finaliza a Moody’s.