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SÃO PAULO – A crescente inflação no Irã, devido, em parte, às sanções impostas pelos Estados Unidos ao país, tem provocado forte corrida compradora ao dólar e outros ativos bastante líquidos, e com isso motivado a expressiva desvalorização da moeda local, o rial. Em apenas uma semana, a divisa iraniana retrocedeu cerca de 40% frente à norte-americana, para US$ 0,0001. A inflação do país no mês encerrado em agosto está estimada em 29%. No ano, a moeda iraniana já se depreciou 105,88%.
Com a inflação forte, o país está com dificuldade crescente em pagar por itens básicos e tem se tornado extremamente caro importar materiais, segundo disseram oficiais dos EUA e Europa que preferiram não se identificar. “As sanções europeias restringem a habilidade de o Irã importar bens e serviços e podem levar a economia local a um colapso”, disse um deles à imprensa internacional.
A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, ponderou, no entanto, que poderá promover um rápido alívio nas sanções ao Irã caso o país coopere para esclarecer as suspeitas que envolvem seu programa nuclear, durante entrevista coletiva na última quarta-feira (3).
Hillary culpou o governo iraniano – e não as sanções ocidentais – pelos problemas financeiros, que culminaram com protestos no país, em função da maxidesvalorização do rial. “Eles tomaram suas próprias decisões de governo, nada tendo a ver com as sanções, e isso teve um impacto sobre as condições econômicas dentro do país”, disse Hillary a jornalistas.
“É claro que as sanções também tiveram um impacto, mas eles podem ser remediados em curto prazo se o governo iraniano estiver disposto a trabalhar com (…) a comunidade internacional de maneira sincera.”
Os Estados Unidos e seus aliados acusam o Irã de usar o seu programa nuclear para desenvolver armas atômicas secretamente e impõem sanções cada vez mais duras ao país. O Irã insiste no caráter pacífico das suas atividades.