Publicidade
SÃO PAULO – A frota dos carros da categoria utilitário esportivos foi a que mais cresceu no Brasil em 2008. Segundo pesquisa do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), o crescimento foi de 31% em relação ao ano anterior, passando de 471.371 para 619.462 unidades.
Para o consultor de mercado da Molicar, Vitor Meizikas Filho, esse crescimento ocorreu devido à queda nos preços desses modelos, que estão próximos aos valores cobrados por sedãs médios. “A maioria desses carros eram importados e, com a queda do dólar no ano passado, o preço ficou mais próximo ao consumidor”, explica.
Carregando mais peso
Com preço mais similar ao dos sedãs médios, em alguns casos, compensa mais para o consumidor a compra de um utilitário. “É um carro mais robusto, oriundo da picape, que aguenta mais peso e permite o acesso a obstáculos e estradas não pavimentadas”, afirma Meizikas.
Porém, grande parte dos consumidores brasileiros que compram esses veículos faz a escolha para rodar pela cidade, o que, segundo o consultor, não é vantajoso. “Esses carros são maiores e mais pesados, e o anda e para da cidade é mais cansativo. Além disso, as suas dimensões não combinam com o trânsito cada vez mais travado das grandes cidades ou com as vagas cada vez mais apertadas”, diz.
A desvantagem pode ser ainda maior, se considerarmos os gastos que esses modelos proporcionam ao proprietário, que vai além do consumo maior de combustível. “O seguro e a manutenção de um utilitário esportivo são mais caros que em um veículo de passeio”.
Moda passageira?
Para o consultor, além dos preços mais baixos para a compra de um utilitário, o status proporcionado pelo carro também tem feito com que mais brasileiros busquem esses modelos. Mas ele também considera que isso pode ser um modismo que passará com o tempo.
Continua depois da publicidade
Um dos motivos seria a preocupação cada vez maior com o meio ambiente, já que esses veículos poluem mais que os outros, e a rejeição que começa a ser sentida em mercados mais tradicionais, como os Estados Unidos.
Meizikas lembra que, nesse momento, os brasileiros estão indo na contramão da tendência. “Enquanto o governo americano incentiva a troca dos utilitários por modelos menores, o brasileiro está abraçando esses carros. Mas pode ser uma bolha, um modismo que vai passar”, considera.