MMX sobe 9,2%, Gol decola 6,5% e Gafisa cai 4,9%; veja destaques

Ibovespa mostrou forte recuperação após ter tido seu pior pregão em 18 meses; no entanto, Marfrig caiu pelo 5º dia seguido e totaliza perdas de 19%, enquanto CSN renovou mínima desde 2008
Igarape, 05 de novembro de 2011Imagens aereas das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro
Igarape, 05 de novembro de 2011Imagens aereas das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro

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SÃO PAULO – Um dia depois de ter forte queda de 3,66% e ver todas as suas 69 ações registrarem perdas, o Ibovespa teve uma terça-feira (17) de ganhos, subindo 1,97%, fechando aos 53.990 pontos. Destaque para as companhias com maior participação no índice, a Petrobras (PETR3; PETR4) e a Vale (VALE3; VALE5).

Na véspera, os ativos da mineradora tiveram queda de 6,5%, enquanto nesta terça-feira (16), os papéis preferenciais fecharam com alta de 2,76%, aos R$ 31,65, e os ordinários avançaram 2,28%, para R$ 33,20. Já a Petro, que caiu mais de 4% na véspera, encerrou este pregão com alta de 2,73% para suas ações preferenciais, aos R$ 17,70, e valorização de 1,92% para as ordinárias, que fecharam a R$ 15,95.

Na véspera, os dados piores que o esperado sobre o crescimento da economia chinesa prejudicaram diversas empresas de commodities, principalmente as mineradoras e de celulose. Além da Vale, a Bradespar (BRAP4), holding com participação na mineradora, fechou com alta de 1,97%, para R$ 24,85. A CSN (CSNA3), no entanto, não acompanhou a recuperação das companhias e fechou com queda de 1,92%, aos R$ 7,68, renovando seu menor patamar desde 21 de novembro de 2008.

Já no setor de papel e celulose, destaque para a Suzano (SUZB5), que ficou entre as maiores altas do Ibovespa (+4,21%), valendo R$ 7,67 por ação. A sucroalcooleira Cosan (CSAN3, +5,27%, R$ 44,53) também fechou no azul.

Por fim, a Oi (OIBR3; OIBR4) também conseguiu um dia positivo, embora suas ações ordinárias ainda acumulem perdas de cerca de 25% no ano. Nesta terça-feira, os papéis preferenciais subiram 4,97%, para R$ 5,49, enquanto as ações OIBR3 avançaram 6,82%, cotadas a R$ 6,42. 

Grupo X também se destaca
Dentro do grupo EBX, do empresário Eike Batista, as três companhias que integram o Ibovespa seguiram a tendência tanto ontem quanto hoje. Na véspera, a OGX Petróleo (OGXP3) caiu mais de 12%, enquanto nesta sessão fechou com alta de 3,70%, a R$ 1,40. A LLX Logística (LLXL3) encerrou esta sessão estável, aos R$ 2,08, enquanto a MMX Mineração (MMXM3), que recuou 9,41% na segunda, valorizou hoje 9,29%, fechando em R$ 2,00.

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Fora do índice, a MPX Energia (MXPE3) também inverteu parte das perdas da véspera e fechou com alta de 3,64%, aos R$ 9,40, enquanto a CCX Carvão (CCXC3) avançou 11,18%, para R$ 3,38.

Gafisa lidera perdas após prévias
Contudo, o dia não foi só de ganhos no Ibovespa. As ações da Gafisa (GFSA3) fecharam o pregão com forte desvalorização de 4,95%, cotadas a R$ 4,03, depois da incorporadora divulgar a prévia operacional do primeiro trimestre de 2013. Em comunicado sobre a prévia operacional, a empresa mostrou que os lançamentos registraram queda de 34% nos primeiros três meses do ano, para R$ 307,55 milhões.

A Gafisa alcançou 10% do ponto médio da meta do VGV (Valor Geral de Vendas) de lançamentos para o ano, cuja faixa vai de R$ 2,7 bilhões a R$ 3,3 bilhões. A companhia lançou R$ 113,7 milhões da Tenda, R$ 110,83 milhões de Alphaville e R$ 83,03 milhões da marca Gafisa. Os lançamentos da marca Gafisa caíram 61%, enquanto os da Alphaville encolheram 55%.

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Segundo os analistas Eduardo Silveira e Frederico Mendes, do Banco Espírito Santo, os resultados da Gafisa decepcionaram devido a uma surpresa negativa vinda de cancelamentos de vendas, afetando as vendas contratadas e velocidade de vendas (abaixo de 6%). Do lado positivo, eles ressaltaram a redução no estoque no primeiro trimestre de R$ 119 milhões.

Marfrig: 19% de queda em 5 pregões
As ações da Marfrig (MRFG3) fecharam em queda de 4,12%, a R$ 6,28, e chegaram a atingir na mínima do dia desvalorização de 4,58%, a R$ 6,25. Esse é o quinto pregão consecutivo que os papéis da companhia operam no negativo, sendo que somente na véspera, os ativos caíram 11,13%. No acumulado destes cinco pregões, os ativos MRFG3 desabaram 19%.

Em relatório, o HSBC cortou o preço-alvo das ações da Marfrig, de R$ 12,00 para R$ 8,50. A recomendação neutra foi retirada. Para os analistas, a empresa deve continuar a registrar resultados moderados no curto prazo, em função dos desafios associados à integração dos ativos da BRF (BRFS3) e pressões sobre as margens de carne bovina em suas operações na Argentina e Uruguai.

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Também impacta nos papéis a 2ª prévia sobre a composição do índice IBrx-50, divulgada pela BM&FBovespa nesta sessão. A nova prévia excluiu os papéis do frigorífico do índice. A confirmação do novo índice só sairá no final do mês, entrando em vigor a nova carteira a partir de maio.

Além disso, o analista Luis Gustavo Pereira, da Futura Investimentos, informa que o cenário econômico global não favorece o Marfrig, principalmente levando em consideração que o frigorífico é um dos mais alavancados da América Latina. Ela também sofre com a sua exposição ao exterior, tendo em vista que na véspera a China divulgou um crescimento abaixo do esperado do PIB (Produto Interno Bruto) do 1º trimestre do ano.

Após prévia do Ibovespa, Gol sobe 6,5%
Entre os maiores ganhos do dia, as ações da Gol (GOLL4) avançaram 6,53%, cotadas a R$ 12,07. Contribuiu para o desempenho a divulgação da prévia operacional da empresa, que mostrou crescimento de 16% na receita por passageiro ponderado por quilômetro rodado (Prask, na sigla em inglês) durante o mês de março.

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Além disso, o yield líquido no mês apresentou aumento de 17% na comparação com o mesmo período de 2012, ficando entre R$ 21,50 e R$ 22,00. No primeiro trimestre, o yield líquido atingiu crescimento em cerca de 13%.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, a notícia é marginalmente positiva pela melhora no yield, ainda que este tenha sido contrabalanceado por um incremento dos custos com combustível. “Entendemos que tais números não mudam a situação difícil que passa a empresa, mas pode ser um trigger positivo para suas ações no curto prazo”, disse.

Lupatech cai 6% após 2 calotes em uma semana
Fora do Ibovespa, destaque as ações da Lupatech (LUPA3), que caíram 5,08%, cotadas a R$ 1,12, mas atingiram na mínima do dia perdas de 9,32%, a R$ 1,07. Esse é o quarto pregão consecutivo no negativo, período no qual os papéis acumulam perdas de mais de 22%.

O desempenho ruim nesse pregão acompanha a informação de que a Lupatech, fornecedora de produtos e serviços para o setor de petróleo e gás, informou que não conseguiu pagar os R$ 83,1 milhões de juros aos titulares de debêntures conversíveis que venciam na última segunda-feira, montante que corresponde aos juros devidos e não pagos referentes ao exercício social de 2012, cujo pagamento já havia sido prorrogado até ontem, bem como os juros referentes ao atual exercício social.

O problema, contudo, não é isolado. Na semana passada, a empresa informou que não conseguiu pagar US$ 6,79 milhões referentes aos juros de bônus perpétuos. Em função disso, a Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da empresa para “D”, nível mais baixo da escala da agência de classificação de risco, equivalente a calote.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, a capacidade de pagamento de dívidas no curto prazo está comprometida e após sucessivos defaults, o reperfilamento da dívida é uma tarefa árdua. “Acreditamos que caso o reperfilamento da dívida (alargamento de prazos) ocorra, o custo da dívida deverá subir consideravelmente. A seu favor a companhia tem assessoramento do Bank of America Merrill Lynch e possivelmente o BNDES”, avalia. Mesmo assim, a corretora não recomenda exposição ao case.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.