Altas e baixas

MMX lidera ganhos com alta de 6,18% e Marfrig cai 15%; veja destaques

Papel do frigorífico caiu 23,5% em 3 sessões; imobiliárias e elétricas mostram volatilidade durante a sessão

SÃO PAULO – Em dia marcado pela volatilidade, o Ibovespa optou pelo campo negativo apenas no final do pregão, terminando com queda de 1,10%, aos 57.63 pontos. No campo positivo, o destaque ficou com os papéis da MMX Mineração (MMXM3), com alta de 6,18%, para R$ 3,95. A variação mais agressiva do dia, porém, ficou com os ativos do Marfrig (MRFG3), que despencaram 15,50% para R$ 9,05. 

Os papéis do frigorífico já haviam recuado 7,67% no último pregão. O movimento antecipa a precificação das ações que serão ofertadas pela Marfrig, cujo resultado será apresentado após o fechamento deste pregão. Geralmente, os investidores tentam derrubar as ações na Bovespa com o intuito de deixar o preço da oferta mais baixo – tendo em vista que a precificação é feita em cima da média das cotações do ativo na bolsa. 

Desde sexta-feira (30) as ações da companhia apresentam desvalorização e são negociadas com volume maior do que a média. Nesta terça, os ativos movimentaram R$ 89,91 milhões – a média diária dos últimos 21 pregões gira em torno de R$ 22,6 milhões. Com isso, a empresa perdeu 23,50% de valor de mercado em apenas três sessões.

Dejà-vú: MMX sobe após promessa de injeção
As ações da MMX Mineração dispararam após o controlador Eike Batista se comprometer a comprar todas as ações que não forem subscritas no aumento de capital. Assim, ele garante que a empresa será capitalizada em R$ 1,36 bilhão.

No fim de outubro uma operação semelhante aconteceu com a petrolífera do grupo. As ações da OGX Petróleo (OGXP3) disparavam mais de 8% no início do pregão após uma opção do controlador para capitalizar a empresa em R$ 1 bilhão. Mas naquela mesma sessão o papel perdeu força e fechou com alta de apenas 2,59%. Na época, Eike enfatizou que essa opção em capitalizar a OGX demonstrava a confiança dele na empresa, assim como nas oportunidades que o setor propiciava.

Para a equipe de análise da XP Investimentos, essa capitalização pode parecer negativa à primeira vista, dado que a emissão de ações equivale a 55% do capital social e pode gerar diluição considerável aos acionistas. A postergação da entrada em operação do Porto Sudeste para o último trimestre do próximo ano também é avaliada como ruim.

“No entanto, a subscrição privada denota o compromisso de seu grupo controlador em garantir as condições da empresa executar seus projetos”, ponderam os analistas, em relatório. Essa injeção de dinheiro na mineradora, em conjunto com financiamento de longo prazo aprovado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), deve garantir a expansão da Unidade Serra Azul, complementam.

Transmissão Paulista sobe e Eletrobras cai após renovação…
Um dia após as companhias do setor elétrico se pronunciarem se aceitam ou não renovarem as suas concessões de acordo com as regras estabelecidas pelo governo, as ações do setor elétrico subiram neste pregão.

Chamou a atenção a movimentação das ações da Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 31,98, +5,20%), que decidiu por renovar as suas concessões. No intraday, as ações chegaram a subir 9,38%, atingindo os R$ 33,25. A companhia titubeou se aceitaria ou não renovar as concessões, mas mudou a opinião após a decisão do governo de rever as indenizações.

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A Eletrobras (ELET3; ELET6) também renovou. A companhia aceitou acatar os termos estabelecidos pelo governo não foi grande surpresa para o mercado, pois a companhia já havia manifestado o interesse pelos ativos. Com isso, os papéis preferenciais da companhia fecharam em queda de 1,87%, aos R$ 9,45 – depois de subirem 8,93% no intraday. Já os ordinários caíram 2,01% para R$ 7,30, depois de registrarem ganhos de 6,70% no decorrer do pregão. 

… e Cesp e Cemig recuam sem renovar
Já as ações da Cesp (CESP6, R$ 18,70, -1,58%) registram queda, após o companhia se negar a assinar as renovaçõesalegando que as alterações na Medida Provisória 579 propostas pelo governo não foram suficientes. 

Os papéis da Cemig (CMIG4, R$ 24,80, -2,34%) também recuaram. De acordo com o Valor Econômico, o conselho de administração da companhia teria decidido não colocar os ativos de geração dentro das novas regras do setor elétrico. A notícia diz que a informação foi dada por um dos conselheiros que deixou a reunião na sede da empresa.

De acordo com este conselheiro, a Cemig aceitou aderir os seus ativos de transmissão às novas regras. A companhia havia afirmado anteriormente ao governo que incluiria dezoito de suas usinas no formato de contrato proposto pela medida provisória 579, mas insistindo que outras três tivessem seus contraros de concessão renovados pelas regras em vigor, o que não foi acordado com o governo. Procurada pelo Portal InfoMoney, a área de relações com investidores da companhia afirmou que ainda irá se pronunciar oficialmente sobre o assunto ainda nesta data. 

Imobiliárias tentam subir, mas viram para o negativo
Nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um pacote com diversas medidas de estímulo, dentre elas a desoneração na folha de pagamentos, que poderá chegar a R$ 2,85 bilhões; atualmente, o setor gasta R$ 6,28 bilhões com pagamento de 20% da folha ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e, com a nova medida, passará a pagar 2% do faturamento bruto. Outra medida é a redução da alíquota do RET (Regime Especial de Tributação) da construção civil de 6% para 4%.

Na esteira dessas medidas, as ações das empresas de construção civil tiveram um desempenho positivo ao longo deste pregão, mas perderam forças ao longo da sessão. As únicas altas ficaram com os papéis da Rossi (RSID3), que avançaram 0,72%, para R$ 4,20, e da Cyrela (CYRE3), que subiram 0,22%, fechando a R$ 18,35.

Enquanto isso, os papéis da PDG Realty (PDGR3), recuaram 1,90%, para R$ 3,10, os da MRV (MRVE3) tiveram perdas de 1,02%, para R$ 11,65. Já a Gafisa (GFSA3) perdeu 3,61% de valor de mercado, indo para R$ 4,27 por ação.

Cetip sobe com recomendação do Barclays
Apesar de assumir uma visão cautelosa em relação à Cetip (CTIP3), considerando um aumento da receita de apenas 4% nos próximos dois anos, a equipe de análise do Barclays afirmou em relatório que as perdas no curto prazo podem ser gerenciáveis e elevou a recomendação para compra. Com isso, as ações subiram 4,18%, aos R$ 23,18. 

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Segundo os analistas Henrique Caldeira e Roberto Savari, a avaliação considera a ampla diversificação de receitas e limitadas sobreposição por conta da competição. “Esperamos que as margens Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) permaneçam confortavelmente boas em 69% e o cálculo do lucro por ação ajustada em 15% até 2015, ajudado por menores despesas com juros”, afirmam os analistas.