MMX é boa opção de investimento para longo prazo

Após acordo com a Wisco Brasil, risco das ações da empresa caem e perspectivas de crescimento orgânico melhoram entre analistas

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SÃO PAULO – Com apenas cinco anos de existência, a MMX (MMXM3) marca uma boa posição entre as empresas de mineração do Brasil. Para boa parte dos analistas, o braço de minério do grupo EBX, do megaempresário Eike Batista, figura entre as principais recomendações de investimentos.

“Em nossa visão, a MMX continua sendo uma das melhores maneiras de se expor à tendência de alta para os preços do minério de ferro, que acreditamos que deve superar substancialmente as expectativas do mercado”, explica o analista Leonardo Correa, do Barclays Capital.

Para Correa, o otimismo baseia-se puramente na expectativa de alta dos preços do ferro, que devem permanecer ainda reprimidos por três a quatro anos, mas que sustentarão, durante este período, o cenário para as mineradoras elevarem seu preço no futuro.

O analista estima um preço-alvo para os papéis MMXM3 de R$ 20,00 no final do ano, com potencial de valorização de 48% em relação ao último fechamento das ações (R$ 13,51). Com isso, sua recomendação é de “overweight” (exposição acima da média do portfólio) para os papéis da mineradora.

“Nosso otimismo baseia-se em alguns fatores como a crescente demanda por importações de minério de ferro da China, a recuperação da produção chinesa de aço, os desafios vistos com o abastecimento do minério e o anúncio de que a Índia não vai mais fornecer o produto para o mercado externo”, aponta.

Parceria estratégica
Além do potencial de alta dos preços do minério de ferro – único produto da MMX -, seu plano de expansão também agrada o analista Pedro Montenegro, da Brascan Corretora.

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O analista destaca que a mineradora pretende aumentar sua produção de 8,7 milhões para 33,7 milhões de toneladas por ano, apenas em sua divisão Sudeste. Atualmente a empresa está operando com duas divisões no Brasil – Sudeste e Corumbá – e com projetos já em andamento no Chile.

Para que isso seja possível, a MMX anunciou no último dia 12 de fevereiro uma parceria estratégica com a subsidiária brasileira da chinesa Wisco (Wuhan Iron and Steel), a qual prevê a emissão de até R$ 1,218 bilhão em ações próprias com o objetivo de aumentar seu capital social.

O acordo envolve a subscrição da Wisco de até 102 milhões de papéis e outras 66 milhões de ações reservadas aos acionistas minoritários que queiram exercer o direito de subscrição pelo preço de R$ 7,26 por ativo.

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“A entrada da Wuhan como parceria estratégica da MMX dá uma segurança muito maior à empresa, não apenas pelo aporte de capital, que torna o balanço dela muito mais saudável, como também, e principalmente, devido à provável aquisição de no mínimo 50% do minério de ferro que for produzido pela MMX”, explica Montenegro.

O analista afirma que o acordo com a Wisco garante parte das vendas da MMX, tornando o horizonte de estimativas mais fácil de ser previsto, ao mesmo tempo em que reduz os custos de capital, facilitando o acesso a um financiamento mais elevado.

“A parceria é muito positiva e, em conjunto com o cenário atual do mercado de minério de ferro apertado, acreditamos que a empresa vai ter condições de vender praticamente tudo o que produzir nos próximos anos, pelos dois fatores em conjunto”, prevê Montenegro.

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Necessidade de recursos
Contudo, o analista da Brascan aponta que, para atingir os planos para seu capex (investimentos previstos para crescimento), a MMX precisará de outras fontes de recurso, uma vez que o R$ 1,2 bilhão a ser captado através do aumento de capital não será suficiente para tamanho apetite por expansão.

“A entrada da Wuhan e a provável subscrição dos acionistas minoritários devem levar o balanço da companhia a ser muito mais saudável. Mas, ainda não é suficiente para tocar seu plano de investimentos sem outras fontes de financiamento”, fala Montenegro.

O analista sublinha que antes do acordo com a siderúrgica chinesa havia muita dúvida em relação à capacidade da MMX de financiar suas ambições de crescimento, assim como sobre a saúde de seu balanço patrimonial, que se encontrava deteriorado, com um caixa baixo e alto endividamento.

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“De fato, nos próximos anos a MMX deve atual com um nível de alavancagem financeira relevante, porque ela terá um elevado endividamento para financiar seu capex; sua geração de caixa só vai ficar mais forte em 2012”, explica Montenegro.

Porém, o analista da Brascan acredita que mesmo com a alavancagem alta, a MMX vai continuar com bons fundamentos e case de financiamento sólido e confiável, principalmente por ela garantir suas dívidas com os próprios ativos, que são avaliados por Montenegro como de qualidade.

Ele estima que o múltiplo dívida líquida/Ebtida (que mede a relação entre dívida líquida e geração operacional de caixa) será de 9 vezes em 2010 e cairá para 3,4 vezes em 2011, sendo que em 2012, a mineradora deve começar a ver o retorno de seus investimentos em geração de caixa.

A Brascan avalia os papéis da MMX como “market perform” (desempenho em linha com o Ibovespa) e estima preço teórico de R$ 16,00 para o final do ano, o que representa um potencial de valorização na casa de 18,4% ante o último pregão.

Avaliação positiva
Ao comentar também o acordo entre MMX e Wisco Brasil, a equipe de research da Itaú Corretora avalia como positiva a notícia, reiterando sua recomendação de “outperform” (desempenho acima da média do mercado) e preço-justo de R$ 17,00 para as ações no final do ano (potencial de alta em 25,8%).

Além de acreditarem que este é um momento favorável ao minério de ferro – e, consequentemente, à MMX – o time de analistas também vê boas perspectivas com a parceria internacional, principalmente no que tange ao risco dos ativos MMXM3.

“Estimamos que isso provavelmente aumente a liquidez dos papéis da MMX de R$ 35 milhões por dia (média do último ano) para mais de R$ 50 milhões por dia”, preveem os analistas.

O Itaú também acredita que o aporte financeiro poderá resultar em aceleração dos projetos de ampliação das operações da companhia. “Esperamos que a MMX anuncie o novo orçamento em torno de seu capex (investimentos em bens de capital) e também mais detalhes de seus projetos entre abril e maio”, afirma a equipe do Itaú.

Menor preço
Mesmo com o otimismo a longo prazo para os papéis da MMX prevalecendo no mercado, os analistas do Bradesco reduziram no último dia 18 de fevereiro o preço-alvo para as ações ordinárias da empresa.

Segundo eles, com os bônus de ações escriturais da mineradora passando a operar sob a forma “ex-subscrição” a partir de 17 de fevereiro, o adicional de R$ 4,30 por ação deve ser retirado, uma vez que ele representada o valor de subscrição.

Agora, as projeções do banco são de R$ 18,00 por papel no final do ano, ante R$ 22,30 anteriormente estimado. Mesmo com a redução, o novo preço continua a oferecer um alto potencial de valorização para os ativos MMX3, de 33,23% em relação ao último fechamento.

Por acreditar em um mercado de minério de ferro aquecido para os próximos anos e no desempenho da mineradora brasileira, o time de analistas do Bradesco mantêm a recomendação de “outperform” para as ações.