Mishkin: Fed deve aumentar horizonte de projeções e adotar meta de inflação

Diretor do Banco Central dos EUA afirma que problemas atuais podem afetar economia do país por mais de três anos

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SÃO PAULO – “Enquanto os recentes progressos na estratégia de comunicação do Federal Reserve foram benéficos, eu acredito que a ciência da política monetária indica que o Fomc precisa ir além”. Com essa afirmação, o diretor do Fed, Frederic Mishkin, concluiu o discurso feito nesta segunda-feira (28) no Peterson Institute for International Economics, em Washington.

Cerca de um mês antes de deixar o cargo, o executivo sugeriu três mudanças na estratégia de comunicação do Fed: o aumento do horizonte de projeções para crescimento da produção, desemprego e inflação para cinco ou mais anos, o estabelecimento de uma meta de inflação e a intenção de apenas modificar essa meta frente a fortes razões econômicas.

As sugestões de Mishkin seguem as alterações feitas pelo Fed em outubro de 2007, quando o Banco Central dos EUA optou por expandir o horizonte de projeções de dois para três anos, além de ter aumentado a quantidade de publicações para quatro vezes por ano, em vez de duas.

Por que mudar?

Embora considere as alterações feitas no ano passado importantes, Mishkin avalia como úteis as novas mudanças propostas, pois o horizonte atual pode não ser longo o bastante para fornecer clareza suficiente ao mercado.

Para ele, a duração do horizonte de projeções é particularmente importante no cenário de crise atual. Enquanto a desaceleração da economia pode permanecer até depois de 2010, ela também “pode induzir um declínio maior na inflação, indicando que as projeções do banco central para a inflação de 2010 podem estar um pouco mais altas que a avaliação da taxa de inflação consistente com o mandato”.

Ademais, o diretor argumenta que essas projeções não estabelecem um compromisso transparente e plausível com uma meta de inflação específica. Segundo ele, são vários os países que adotaram com sucesso um objetivo numérico explícito, como Canadá, Nova Zelândia e Suécia.