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SÃO PAULO – Com cerca de R$ 300 milhões de ativos administrados, a Mira Capital seleciona perfis de clientes mais próximos de sócios, procurando aqueles que entendam e apoiem os investimentos e estratégias praticados pela instituição.
Em entrevista à InfoMoney, o gestor de fundos da Mira Capital, Bruno Freitas Miranda, falou sobre o foco em fundos quantitativos e novos projetos de investimento em empresas nos setores de desenvolvimento sustentável, energia, imobiliário e commodities, sem perder de vista taxas atraentes de retorno.
Portal InfoMoney: Quais os principais produtos que vocês oferecem aos clientes?
Bruno Freitas Miranda: Nós dividimos o mercado em três segmentos. O segmento do curto prazo, com fundos multimercado, do médio prazo, com os fundos em bolsa, e do longo prazo, que inclui os fundos de private equity.
Hoje, nós atuamos no curto e no longo prazo. Essa janela do meio de médio prazo nós ainda não começamos a explorar, mas estudamos um projeto que viabilize isso.
No curto prazo, temos dois fundos: um que estamos começando agora, que procura replicar uma tesouraria de um banco, sendo 50% direcional, bolsa, juros e moedas e 50% quantitativo. Outro fundo de investimento que oferecemos, com quatro anos de histórico, é 100% quantitativo.
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No longo prazo, temos fundos de private equity e estamos focando principalmente em dois setores: imobiliário e empresas ligadas a geração de energia, consumo e alimentos, mas de maneira sustentável. Em todos os projetos que estamos fazendo, buscamos envolver tecnologias ou políticas de desenvolvimento sustentável. São projetos de infraestrutura e energia com tecnologias que não impactam no meio ambiente, promovem reciclagem e ainda assim têm uma taxa de retorno muito alta. O que acontece na verdade é que na maioria das vezes os “projetos verdes” não têm uma taxa de retorno que suporte o investimento. No nosso caso, estamos conseguindo desenvolver tecnologias e projetos em que a taxa de retorno e a relação risco e retorno são extremamente positivas.
Como vai funcionar esse novo fundo de juro, bolsa e moeda, 50% quantitativo?
Ele ainda está pequeno e não está em fase de captação, ainda está fechado. Já temos investidores dentro do fundo, mas ainda não estamos divulgando nem rentabilidade, nem o tamanho. Isso porque estamos passando por uma reorganização societária, com a entrada de dois novos sócios.
Mas estamos planejando aumentar esse fundo. Temos o comprometimento de capital de um sócio importante, que vai aumentar bem o tamanho do fundo. Mas ainda não temos certeza se vamos querer abrir para captação em varejo.
Entre os produtos que vocês oferecem, qual apresenta a maior procura pelos clientes?
| “Os projetos de private equity têm tido bastante demanda de investidores locais e estrangeiros” |
Os projetos de private equity têm tido bastante demanda, tanto de investidores grandes locais, quando de clientes estrangeiros. Uma coisa que acho importante ressaltar é que temos capital próprio investido junto com o dos sócios, em todos os projetos. Nós não queremos ter clientes, queremos ter sócios. Nosso objetivo é a geração de idéias, geração de oportunidades de investimento.
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Vocês investem em empresas de capital aberto ou fechado?
Tanto no segmento do curto prazo quanto no de médio prazo, investimos em companhias de capital aberto. No private equity, investimos em empresas de capital fechado.
Você pode citar algumas das empresas em que investem?
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Por enquanto, preferimos não citar, porque são empresas em processo de formação. Temos um mandato grande de empresa de capital aberto. Na verdade, dois. Mas, por enquanto, preferimos deixar esse negócio um pouco fechado.
Qual o nível de participação de vocês nas empresas do fundo de private equity?
Nós temos como política de investimento participar de todos os fundos que nós recomendamos aos investidores. Geralmente, participamos do Conselho de Administração através do comitê de investimento da empresa, indicamos CFO.
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Qual é a metodologia de investimento da Mira Capital em private equity?
Primeiro identificamos um setor, uma oportunidade de investimento, e depois buscamos um cliente que queira investir nesse negócio. Talvez esse seja um processo de mais longo prazo, mas, com isso, temos a garantia maior de que o investimento vai se concretizar e vai ter retorno acima da média.
Qual a estratégia de risco da instituição?
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Todas as operações que fazemos no mercado nos fundos abertos são operações que têm um princípio quantitativo por trás. Então, quando montamos a operação, já temos uma expectativa de quanto isso pode dar de prejuízo para o fundo e essas operações são automaticamente zeradas. E esse é o mesmo princípio que carregamos nas operações de longo prazo: primeiro decidimos se queremos correr aquele risco e depois se queremos ter aquele retorno. A equação aqui é inversa.
Quem é o público-alvo da Mira Capital?
Clientes institucionais, family offices, empresários. O varejo nós não fazemos e o cliente middle market nós recebemos, mas não temos uma política de captar esse tipo de público.
Vocês trabalham com estrangeiros?
| “O Brasil é a bola da vez, mas os estrangeiros não conhecem o País. Eles precisam de alguém que conheça o mercado local” |
O Brasil é a oportunidade, é a bola da vez, é onde existem as melhores oportunidades de investimento do mundo e está na vitrine aí dos principais centros financeiros. Só que existe uma equação complicada, porque esses estrangeiros não conhecem o Brasil. Entre 1993 e 1996, era difícil de operar em bolsa no Brasil, ninguém entendia o balanço da Vale do Rio Doce, da Petrobras, ninguém sabia o que aconteceria com uma privatização da Telebras. Nessa época, nós ajudamos os estrangeiros a desbravarem a bolsa. Só que agora estamos em um segundo estágio de investimento em que os investidores não estão só preocupados em estar em bolsa; eles estão preocupados em se aventurar no investimento direto nas empresas. Tanto é que o investimento direto só vem aumentando no Brasil. Então, eles precisam de alguém que conheça o mercado local para saber que o que é bom, o que não é bom, quem é bom de fazer negócio e quem não é. Eles precisam de alguém que seja forte conhecedor do mercado local para poder dar luz sobre como investir aqui no Brasil.
No início de maio, houve um erro de operação na Nasdaq, que trouxe forte repercussão no mercado. Por conta disso, muitos passaram a alertar para perigos relacionados a fundos quantitativos, um dos principais produtos que vocês oferecem. Como foi esse dia para vocês?
Como nós operamos a maior parte dos ativos aqui no Brasil, não fomos afetados por aquele problema, pelo contrário: naquele dia ganhamos dinheiro. Acho que esses problemas eventualmente vão continuar acontecendo. Existem problemas operacionais que acontecem: aumenta muito o volume de negócios e o sistema não aguenta.
Mas, independentemente disso, os fundos quantitativos têm crescido muito no Brasil.