Minuta do Fed não intimida, commodities dão fôlego e Ibovespa mantém ganhos

Wall Street é guiada pelo ânimo com GM e BofA, enquanto Sadia e Perdigão lideram ganhos do índice por aqui; dólar em baixa

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SÃO PAULO – Recuperando-se da instabilidade verificada na véspera, os mercados vivem uma tarde de ganhos, de olho no intenso volume de dados econômicos e referências corporativas de peso. Wall Street, que recebeu há pouco a ata do Fed, mantém-se no campo positivo com ajuda da GM. Aqui dentro, o Ibovespa conta com o fôlego extra de blue chips e produtoras de alimentos para registrar ganhos ainda mais robustos e ultrapassar os 52 mil pontos pela primeira vez em oito meses.

Embora tenha notado certa melhora nas últimas semanas, o Federal Reserve declarou que ainda se mostra preocupado com a difícil situação da maior economia do mundo. Isto levou o colegiado a reduzir suas projeções para a atividade econômica do país, esperando agora uma contração de 1,3% a 2,0% no PIB (Produto Interno Bruto) de 2009, enquanto a estimativa anterior era de 0,5% a 1,3% de queda para o indicador.

Na esfera corporativa, enfrentando o risco de uma concordata e buscando liquidez, a General Motors (+12,6%) afirmou que recebeu três propostas de compra da unidade Opel na Alemanha, conforme indicado pelo porta-voz Chris Preuss. Já no setor financeiro, o Bank of America anunciou que conseguiu levantar US$ 13,47 bilhões em uma oferta pública de ações, ficando ainda mais próximo da meta dos US$ 33,9 bilhões requeridos pelo governo dos EUA. Os papéis do banco também sobem.

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Voltando ao âmbito econômico, foi divulgado que o PIB do Japão teve queda recorde de 4% no primeiro trimestre de 2009, ficando levemente acima das expectativas (-4,2%). Cabe ressaltar ainda que a volatilidade aparentemente se dissipa nos mercados, o que demonstra um pouco mais de confiança na recuperação da economia global. Como evidência, foco para a volta do índice VIX (Volatility Index) à mínimas de setembro último, em patamar equivalente ao pregão anterior à falência do Lehman Brothers.

Petróleo, minério e alimentos

Rebatendo parte das perdas da véspera, o Ibovespa acompanha a trajetória positiva das bolsas norte-americanas nesta tarde e avança com impulso de Vale, Petrobras e produtoras de alimentos. A valorização no preço das matérias-primas – em especial metais e petróleo – contribui para os ganhos da bolsa brasileira na medida em que dão fôlego às blue chips.

No setor de alimentos, as atenções se voltam novamente para o anúncio da fusão entre Sadia e Perdigão, cujas ações lideram os ganhos do principal índice acionário do País. Depois de analisar a operação, a agência de risco Standard & Poor’s colocou os ratings da Perdigão em revisão negativa, ao contrário dos da Sadia, que podem ser elevados pela instituição.

Por outro lado, as ações da Braskem aparecem no destaque negativo do índice nesta tarde. Diferentemente das outras projeções ao setor, o Credit Suisse revisou para baixo as perspectivas para o resultado da empresa na véspera, de modo que a expectativa para o Ebitda (geração operacional de caixa) da empresa neste ano reduziu-se em 16%.

Extremos

Entre os destaques de alta estavam os papéis
Sadia PN (SDIA4, +8,80%),
Perdigão ON (PRGA3, +8,50%),
Itau Unibanco PN (ITUB4, +4,24%),
Usiminas PNA (USIM5, +3,86%) e Sid Nacional ON (CSNA3, +3,63%).
Por outro lado, as ações
Braskem PNA (BRKM5, -4,21%),
Redecard ON (RDCD3, -3,23%),
BMF Bovespa ON (BVMF3, -1,83%),
Lojas Americanas PN (LAME4, -1,75%) e JBS ON (JBSS3, -1,74%).
encerraram a manhã em queda.

Os maiores volumes ficaram com
Vale Rio Doce PNA (VALE5, R$ 575,11 milhões), Petrobras PN (PETR4, R$ 487,25 milhões), Itau Unibanco PN (ITUB4, R$ 145,53 milhões), Vale Rio Doce ON (VALE3, R$ 130,61 milhões) e BMF Bovespa ON (BVMF3, R$ 107,77 milhões).

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Dólar cai

Ampliando o ritmo de queda visto na abertura, o dólar comercial segue em baixa nesta quarta-feira e se aproxima do menor valor desde 1 de outubro de 2008. Há pouco, a moeda norte-americana recuava 0,7%, próxima de R$ 2.

A agenda doméstica conta apenas com o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao segundo decêndio de maio. No período, o indicador apontou deflação de 0,14%, após a variação negativa de 0,33% registrada no mesmo intervalo do mês anterior.