Minuta do Fed: maior flexibilização quantitativa e preocupação com deflação

Analistas avaliam documento ressaltando expectativas de expansão das medidas e manutenção da taxa de juro

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SÃO PAULO – Nova redução das expectativas, preocupação com deterioração da economia, sinalizações de que os juros permanecerão baixos por muito tempo. A minuta da reunião de dezembro do Federal Reserve trouxe tudo isso. Mas a atenção dos analistas está em outro ponto: as indicações de que o banco continuará com medidas de flexibilização quantitativa.

A grosso modo, isso significa que a autoridade monetária dos EUA está disposta a expandir a injeção de dólares na economia, de forma a aumentar a oferta da moeda e impulsionar a atividade.

Para o Danske Bank, o Fed continuará a expandir as medidas de flexibilização quantitativa, até a materialização de melhores condições nos mercados de crédito e a estabilização da economia.

Mais medidas

“Todos os membros do Fed concordam que a expansão da folha de balanço deve continuar, para sustentar os programas de empréstimo e compra de ativos”, explica o Société Générale, acrescentando que o banco está mais focado na área de ativos da folha de balanço, como a quantidade e o tipo de programas de empréstimos.

Depois de utilizar o principal instrumento da política monetária desde o terceiro trimestre de 2007, culminando com a redução da taxa básica de juro para a faixa entre 0% e 0,25%, o Fed agora deve utilizar outras ferramentas à sua disposição.

“O comitê indicou claramente que continua a procurar novas opções. Além das medidas alternativas já tomadas pelo Federal Reserve, os membros notaram que a expansão de facilidades já existentes e a implementação de novas medidas podem se tornar necessárias, como a compra de títulos de longo prazo do Tesouro”, afirmam os analistas do Danske Bank.

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Estabelecendo metas

Um outro ponto da minuta muito ressaltado pelos analistas é a preocupação do Fed com os riscos de deflação. “A minuta do Fed falou de uma ‘inflação desconfortavelmente baixa’ – um possível sinal de risco deflacionário”, explica Paul Donovan, do banco UBS.

Segundo ele, o documento também trouxe sinalizações de que a autoridade monetária considera o estabelecimento de metas de inflação para ajudar na comunicação. “Nós agora vemos todas as grandes economias com inflação negativa para parte de 2009, e comunicar o desejo de retorno à inflação positiva pode ser importante”, avalia Donovan.

Da mesma forma, os analistas do Société Générale também vêem pontos positivos no estabelecimento de metas, especialmente porque isso deixaria claro o comprometimento do Fed com o combate à deflação. “Porém, ligar esse comprometimento a metas quantitativas poderia ser enganoso, já que impulsionar as reservas não garante, por si só, um resultado de ‘não deflação'”, rebatem os analistas.