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Na última quinta-feira (20), o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva suspendendo a tarifa de 40% sobre uma ampla gama de produtos agrícolas brasileiros, incluindo cortes selecionados de carne bovina e o café.
Essa medida segue a redução parcial do pacote tarifário de 50% para 40% em 14 de novembro, em meio às negociações em andamento entre os EUA e o governo brasileiro. Para o Bradesco BBI, a medida terá implicações significativas para as exportações agrícolas brasileiras, principalmente para produtos com alta exposição ao mercado americano.
Sobre a carne bovina, o BBI reforça que a imposição da tarifa adicional total de 50% interrompeu substancialmente as exportações brasileiras de carne bovina para os EUA, com volumes sendo redirecionados para destinos alternativos.
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Entre janeiro e julho de 2025, o Brasil exportou 1,6 milhão de toneladas de carne bovina, das quais 11% foram destinadas aos EUA, refletindo a demanda ainda robusta por proteína brasileira. Durante o período, os EUA lideraram o crescimento nos volumes de exportação, impulsionados por uma crescente diferença de preços do gado entre os dois mercados, visto que a disponibilidade permaneceu restrita no mercado interno americano.

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Contudo, de agosto a novembro de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina desaceleraram. Historicamente, o mercado dos EUA apresenta um prêmio de preço em relação a outros destinos e é um mercado importante para absorver cortes de menor valor que são processados posteriormente naquele país. Mercados alternativos conseguiram absorver volumes, mas isso ocorreu à custa dos preços.
Na visão do Bradesco BBI, à medida que se aproxima do início de 2026, a eliminação da tarifa sobre as exportações de carne bovina é claramente positiva para o setor proteico brasileiro.
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O BBI ressalta três pontos principais:
(i) A disponibilidade de gado nos EUA permanece restrita, com um rebanho menor e um ciclo de retenção incipiente, agravado pela escassez criada pela redução das importações.
(ii) A reabertura da cota anual de exportação isenta de impostos em janeiro deve permitir uma rápida recuperação dos embarques brasileiros para os EUA. “Acreditamos que as exportações permanecerão competitivas mesmo com a tarifa normal de exportação acima da cota”, avalia o banco.
(iii) Isso deve ajudar a aumentar os spreads (diferenças entre os custos e os preços de venda) de exportação para os frigoríficos brasileiros com exposição ao país, o que é importante em um momento em que o ciclo da pecuária no Brasil também está começando a mudar.
O banco avalia que a Minerva (BEEF3) deva ser a principal beneficiária dessa decisão, que apresentou uma exposição total ao mercado americano de até 21% no 3T25. A JBS (BDR: JBSS32), a empresa preferida no segmento de proteínas do BBI, e a MBRF (MBRF3) também devem se beneficiar.
E o café?
O BBI também ressalta que os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de café, e a introdução de tarifas causou uma interrupção significativa nos fluxos comerciais. Os volumes de café exportados entre agosto e novembro de 2025 caíram 44% em relação ao ano anterior, restringindo a oferta nos EUA e elevando os preços internacionais.
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Após essa medida, o mercado interno brasileiro acompanhou em grande parte a alta dos preços na CBOT (Chicago Board of Trade, a bolsa de negociação de Chicago), que subiram 40% desde agosto. Isso também foi sustentado pela oferta global estruturalmente restrita nas últimas duas safras. Ainda assim, os preços no Brasil atualmente são negociados com um desconto maior do que o observado durante o primeiro semestre do ano.

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Para o BBI, a eliminação das tarifas deve desencadear a normalização das exportações brasileiras de café para os EUA, aliviando a escassez de oferta no mercado internacional e atenuando parte da pressão sobre os preços até 2026.
Dito isso, a oferta e a demanda globais permanecem restritas, e a liberação dos volumes retidos no Brasil não deve alterar esse cenário.
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O banco também espera que os preços no Brasil reduzam parte do desconto em relação à CBOT, agora que os embarques devem ser retomados. Isso deve manter a rentabilidade doméstica acima das médias históricas, com preços elevados que devem representar um fator positivo para a Camil (CAML3) no ano fiscal de 2026, avaliam os analistas.