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A Minerva (BEEF3) anunciou nesta segunda-feira (21) uma oferta não vinculante para aquisição da Breeders and Packers Uruguay (BPU), uma subsidiaria da NH Foods, ainda sujeita a due diligence, adicionando 1,2 mil cabeças/dia de capacidade de abate se concretizado.
Embora o valor não tenha sido divulgado, o valor total da aquisição deve ficar entre US$ 35 e US$ 45 milhões, conforme informado pelo site Pipeline, “não relevante para impactar a alavancagem do Minerva”, comenta a XP Investimentos, em relatório.
A instituição financeira enxerga o negócio como “positivo, pois: (i) fortalece a presença da Minerva em bovinos na América do Sul, alinhada à estratégia de longo-prazo da empresa; (ii) a oferta de gado deve aumentar em 2023 após uma virada ainda tímida do ciclo do gado no país; e, (iii) deverá ocorrer um aumento no volume de exportação para os EUA e Ásia em um timing muito interessante”.
Para Goldman Sachs, a aquisição não implica em mudanças na posição do balanço patrimonial da Minerva, pois o valor da transação representa menos de 0,1 vez do lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), porém o maior foco da administração em fusões e aquisições pode adicionar um risco potencial a manutenção do índice de distribuição de dividendos de 50% daqui para frente.
O Bradesco BBI, por sua vez, diz que esta aquisição não altera sua visão sobre as ações, uma vez que não é particularmente relevante em tamanho e não deve alterar materialmente a alavancagem financeira (em 0,1x).
“Um possível ponto positivo dessa transação é que o Uruguai é visto como um mercado de carne bovina premium que exporta para países valiosos como Japão e Coréia do Sul”, diz BBI.
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De acordo com comunicado publicado na noite de ontem, a carne bovina uruguaia é reconhecida mundialmente por sua tradição e qualidade, acessando os principais e mais restritivos mercados no mundo, como o Japão, Coreia do Sul, China e Estados Unidos. O Uruguai está atualmente entre os dez maiores exportadores de carne bovina do mundo.
Por outro lado, analistas do BBI lembram que esta é a segunda aquisição que a Minerva anuncia em um mês, e um dos principais riscos que os investidores estão monitorando é se novas aquisições podem aumentar a alavancagem financeira de forma relevante.
O Goldman reitera recomendação neutra para ações da Minerva, com preço-alvo de R$ 17, o que representa potencial de valorização de 30,8% frente a cotação de fechamento de terça-feira (22) de R$ 13.
BBI também mantém classificação neutra para Minerva e preço-alvo de R$ 16, pois analistas do banco continuam cautelosos com a demanda por carne bovina da China, dado que o país está aumentando sua produção doméstica de carne bovina e suína.