Commodities

Minério volta a cair forte com novas restrições na China e temores sobre recessão global

Aperto nas restrições em algumas cidades na China volta a causar mais pessimismo para os mercados

Por  Equipe InfoMoney -

Os contratos futuros de minério de ferro nas bolsas de Dalian e Cingapura caíram nesta segunda-feira (4), prejudicados por uma perspectiva sombria para a demanda pelo ingrediente siderúrgico na China, onde muitas siderúrgicas estão sofrendo perdas e reduzindo a produção.

O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian da China encerrou as negociações em queda de 5,8%, a 719,50 iuanes (US$ 107,49) a tonelada, estendendo as perdas para uma terceira sessão e atingindo seu menor nível desde 23 de junho. Na Bolsa de Cingapura, o contrato para agosto caiu 4,8%, a US$ 109,15 a tonelada.

As usinas da China, maior produtor mundial de aço, paralisaram dezenas de altos-fornos à medida que os estoques se acumulavam após o enfraquecimento da demanda doméstica, atingida pelos lockdowns contra Covid-19 e pelo mau tempo.

A perspectiva crescente de uma recessão global também influencia negativamente o sentimento do mercado, juntamente com a medida da China para reduzir a produção de aço sob seu plano de descarbonização.

“Esperamos que os futuros de minério de ferro sejam negociados em baixa esta semana, devido a esses fatores fortemente negativos de preços”, disse Atilla Widnell, diretor administrativo da Navigate Commodities em Cingapura.

Cidades do leste da China apertaram as restrições à Covid-19 no domingo, conforme surgem aglomerados de casos de coronavírus, representando uma nova ameaça à recuperação econômica da China sob a rígida política de zero Covid do governo.

Wuxi, um centro de indústria têxtil no delta do Rio Yangtze, na costa central, interrompeu as operações em muitos locais públicos, incluindo lojas e supermercados. Os serviços de refeições em restaurantes foram suspensos, e o governo aconselhou as pessoas a trabalharem de casa.

A China continua tentando eliminar novas infecções, como parte da abordagem rigorosa adotada no país onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez no fim de 2019. Os lockdowns e outras medidas afetaram fortemente a segunda maior economia do mundo.

De acordo com o banco suíço Julius Baer, além dos riscos crescentes de recessão e uma mudança acentuada no humor do mercado de extremamente otimista para cada vez mais baixista, há um fator específico que está empurrando os preços para baixo.

“Em suma, vemos os mercados mais do que suficientemente abastecidos e acreditamos que uma rápida recuperação é improvável, com a China estabilizando em vez de estimular o crescimento. Pode ser tentador comprar no fundo, mas ainda não chegou a hora”, avalia o analista Carsten Menke.

Embora o governo chinês esteja tomando as medidas necessárias para estabilizar o crescimento, não se espera, na visão de Menke, grandes medidas de estímulo intensivo em metais, visando os setores de infraestrutura ou imobiliário.

“Os investimentos em infraestrutura ganharam um pouco de ritmo ultimamente, mas para o setor imobiliário permanece muito estagnado. Durante os primeiros cinco meses do ano, novos lançamentos e vendas caíram 32% e 28%, respectivamente, o que é um grande obstáculo para a demanda de metais industriais. Embora provavelmente tenhamos visto o vale no crescimento chinês e na demanda de metais – exceto por grandes bloqueios amplos – também acreditamos que uma recuperação rápida é muito improvável”, aponta o analista.

Enquanto isso, a oferta nos mercados de metais melhorou, refletindo em primeiro lugar o aumento da produção na China, bem como as exportações russas muito resilientes. Dito isso, essas exportações foram redirecionadas de oeste para leste, com a China e a Índia se tornando destino importante para o alumínio russo.

“Em suma, isso deixa os riscos crescentes de recessão como o motor dominante do movimento de baixa, agravado por uma mudança acentuada no humor do mercado de extremamente otimista para cada vez mais baixista”, avalia o analista do banco suíço, que tem visão cautelosa para as commodities metálicas.

(com Reuters)

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