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(Bloomberg) — A maior câmara de compensação de derivativos de minério de ferro deu início a um contrato de material de alta qualidade nesta segunda-feira, descrevendo o antigo produto básico da Ásia como a primeira commodity global da Ásia e buscando se beneficiar da batalha sem precedentes da China contra a poluição atmosférica, que estimula a demanda por produtos de melhor qualidade.
O contrato da Singapore Exchange para o minério com 65 por cento de teor ferroso soma-se aos produtos do minério de referência, de 62 por cento, bem como aos produtos de menor qualidade. A nova oferta será liquidada em dinheiro contra um índice que monitora as remessas no porto de Qingdao, onde o mineral é um ingrediente fundamental para a enorme indústria siderúrgica do país.
O mercado global de minério de ferro se tornou mais fragmentado nos últimos três anos, com maior demanda por material de melhor qualidade e diferenciais maiores entre os teores de conteúdo e pureza. Um dos motores dessa fragmentação tem sido a dura campanha chinesa contra a poluição, que provocou uma busca pelo material de melhor qualidade, que é menos poluente e mais eficiente, e favoreceu companhias mineradoras, como a Vale. Embora a queda forte do mês passado tenha reduzido alguns dos diferenciais, eles continuam amplos.
Dada a mudança do mercado, “o advento de um contrato derivativo de alta qualidade é um acontecimento bem-vindo”, disse Andrew Glass, diretor de trading de minério de ferro da Anglo American. A mineradora acredita que o novo produto “permitirá mitigar o risco de modo mais preciso para os produtos de alta qualidade mais voláteis”, disse ele.
Papel da China
O mercado de minério de ferro gira em torno da Ásia. A maior usuária é a China, que responde por metade da oferta global de aço, e a Austrália é a maior exportadora nacional, devido à produção da Rio Tinto Group e da BHP Group. A brasileira Vale é a maior mineradora individual, e o material é consumido em todo o mundo.
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“O minério de ferro se tornou a primeira commodity verdadeiramente global da Ásia, seguindo cada vez mais os passos do complexo petrolífero em termos de tamanho e importância econômica”, disse Michael Syn, chefe de derivativos da SGX. Os contratos de alta qualidade oferecem “ferramentas para vincular os preços domésticos da China – o mercado mais importante do minério de ferro – a uma referência internacional”, disse ele.
Na Ásia, os derivados de minério de ferro também são negociados pela Dalian Commodity Exchange, da China. Em maio, a bolsa continental abriu seu atual produto de minério de ferro denominado em yuan – que é um mercado importante para os investidores de varejo locais, bem como para as usinas e traders do continente – para investidores estrangeiros.
Não há consenso sobre se os diferenciais amplos entre as qualidades continuarão sendo uma característica do mercado, embora a mineradora Rio Tinto tenha afirmado na semana passada que projeta que essa diferença persistirá, ainda que com certa volatilidade sazonal. O Citigroup afirmou que os diferenciais diminuirão nos próximos três a cinco anos, já que a busca pela qualidade na China foi um evento isolado, de acordo com um relatório.
O novo produto proporcionará uma valiosa ferramenta de gerenciamento de risco para usinas e mineradoras de alta qualidade, disse o chefe de commodities da SGX, William Chin. Também ajudará os participantes que desejam expressar sua opinião sobre a duração e a intensidade das restrições na produção de inverno, de acordo com Chin.
Repórter da matéria original: Krystal Chia em Cingapura, kchia48@bloomberg.net
Para entrar em contato com os editores responsáveis: Phoebe Sedgman, psedgman2@bloomberg.net, Jake Lloyd-Smith, Jason Rogers
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