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O minério de ferro se aproximou no início desta semana dos US$ 110 a tonelada (t) na Bolsa de Cingapura, no maior nível desde outubro de 2024. O movimento ocorreu por conta da mais recente promessa da China de lançar um pacote de medidas para estimular o consumo doméstico.
O Gabinete da China realizou uma reunião na sexta-feira sobre a implementação de um pacote de medidas fiscais e financeiras para impulsionar a demanda interna, incluindo iniciativas para estimular o consumo das famílias, informou a emissora estatal CCTV. A necessidade de reabastecimento, bem como a diminuição dos embarques globais de minério de ferro da Austrália e do Brasil, também elevaram os preços.
Os estoques de minério de ferro em 247 usinas siderúrgicas estão mais baixos em comparação com os níveis medidos durante o mesmo período nos últimos anos, de acordo com a consultoria Mysteel, indicando que ainda há algum espaço para estimular a demanda.
Apesar das altas recentes, ainda que seguidas de alguns dias de maior acomodação, analistas de mercado veem pouco espaço para altas mais significativas do preço da commodity.
A XP continua vendo como improvável uma aceleração de curto prazo na demanda por aço, limitando o potencial de alta dos preços do minério de ferro acima dos níveis atuais.
“Dito isso, com a oferta de novos suprimentos restrita ao longo de 2026 e o preço de US$ 90/t servindo como suporte de custos, também vemos riscos de queda limitados abaixo desses níveis. Como resultado, esperamos preços entre US$ 100 e 105/t para 2026”, avaliam os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernando Urbano, que assinam o relatório.
Em dezembro, apontaram os analistas, os preços do minério de ferro se mantiveram firmes, apoiados por exportações robustas de aço, taxas operacionais sustentadas na produção de aço baseada em altos-fornos e reabastecimento estratégico antes dos feriados sazonais, mesmo com as condições macroeconômicas mais amplas ainda desafiadoras.
No lado da demanda, as exportações de aço da China continuam a fornecer suporte crítico, compensando a fraqueza na demanda interna por construção em meio à recessão do setor imobiliário. No lado da oferta, espera-se que o aumento dos estoques portuários na China limite o potencial de alta do minério de ferro nos próximos meses, em sua visão, mesmo com desafios estruturais de oferta global.
Em relatório, a Genial Investimentos avaliou que os fundamentos do minério de ferro continuam estruturalmente fracos, apesar da recente resiliência nos preços spot, com a fraqueza da demanda confirmada pelos indicadores.
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“A produção de aço bruto da China caiu acentuadamente em 11% ano a ano em novembro de 2025, levando a contração de janeiro-novembro para 4% ano a ano (0,5 p.p. pior versus a estimativa da Genial), enquanto a taxa de utilização dos altos-fornos regrediu para 88% no final do ano (versus 90% no meio do ano), em meio à piora da lucratividade das usinas”, aponta a Genial. As margens do vergalhão voltaram a ficar negativas e as margens do HRC comprimiram-se para níveis apenas de breakeven (em que os custos se igualam às receitas), limitando os incentivos para a recuperação da produção.
Para a Genial, apesar dos cortes mais profundos na produção, os estoques de aço acabado permanecem elevados, ressaltando a persistência dos desequilíbrios entre oferta e demanda. Essa dinâmica continua sendo impulsionada por: (i) crise imobiliária prolongada — a casa de research acredita que as vendas de imóveis primários continuarão a cair ao longo deste ano (contração de 27,7% ano a ano na área construída de lançamentos imobiliários em onze meses) -; (ii) atividade de construção de infraestrutura pouco encorajadora e (iii) potencial limitado na demanda industrial, questões que esperam que continuem a prejudicar o consumo de aço na China em 2026.
Nesse contexto, a Genial considera a recente alta nos preços do minério de ferro (próxima de 10% em dois meses como amplamente cíclica e transitória. A reposição de estoques antes do feriado (que começará em 17 de fevereiro), os ventos favoráveis do câmbio (RMB/USD) e o posicionamento especulativo fornecem suporte de curto prazo, mas não alteram os fundamentos instáveis.
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Assim, mantém a sua previsão média para o preço do minério de ferro em US$ 95/t esperada para 2026, abaixo do consenso (preço acima de US$ 100/t), refletindo estoques elevados, demanda fraca por aço e oferta abundante.
Mais adiante na curva, revisou em 3% para cima a projeção para 2027, a US$ 90/t, reconhecendo um aumento mais lento do que o esperado de novas entradas de oferta em Simandou, enquanto preserva uma perspectiva de médio prazo inclinada para o lado negativo.
