Commodities

Minério de ferro na China despenca 10% com limites à produção de aço no polo siderúrgico de Tangshan

Tangshan, na província chinesa de Hebei, responde por um quarto da produção de aço no país, maior produtor global.

Os futuros do minério de ferro na China despencaram quase 10% nesta terça-feira, o limite diário de queda, com restrições à produção no polo siderúrgico de Tangshan em meio a medidas anti-poluição impactando esperanças de uma retomada na demanda pela matéria-prima.

O minério de ferro para entrega em maio na bolsa de commodities de Dalian DCIOcv1 encerrou o pregão a 1.031,50 iuanes (US$ 157,98 ) por tonelada, pouco depois de desabar 10% para 1.031 iuanes, nível mais fraco desde 9 de fevereiro.

O primeiro contrato do minério de ferro na bolsa de Cingapura SZZFJ1 recuou 7%, para US$ 155,65 por tonelada, também em mínima desde 9 de fevereiro.

Tangshan, na província chinesa de Hebei, responde por um quarto da produção de aço no país, maior produtor global. A região emite alertas de poluição de tempos em tempos que restringem a operação de usinas siderúrgicas.

Na segunda-feira, o minério de ferro spot havia sido negociado a US$ 176 por tonelada, perto de máxima de US$ 179,50 na semana passada, recorde desde 2012, segundo dados da SteelHome.

No aço, o vergalhão para construção na bolsa de Xangai SRBcv1 caiu 3,9%.

“O mercado está mostrando uma forte volatilidade” conforme as expectativas de robusta demanda por aço em maio e abril se chocaram com preocupações sobre um menor consumo de minério devido às restrições em Tangshan, disse Richard Lu, da consultoria CRU, em Pequim.

A XP Investimentos aponta que, em seus modelos, possui um preço de US$ 120 a tonelada ao final do ano para o minério de ferro. “Nossa preferência no setor segue por Vale, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 122 por ação”, apontam os analistas da XP.

O Bradesco BBI, por sua vez, ressalta que, apesar das recentes restrições de produção no norte da China, a fim de controlar a poluição, a utilização da capacidade total na China permanece sustentada acima de 90%, já que uma grande parte da indústria já adaptada a padrões de emissão ultrabaixa e a produção pode ser mais forte em outras partes do país,  potencialmente compensando as perdas em Tangshan.

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Na avaliação dos analistas, declarações recentes do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação de que o país conteria a produção de aço em 2021 em um esforço para controlar as emissões não significa necessariamente a ruína para a demanda de minério de ferro, uma vez que a demanda geral de aço de uso final ainda deve crescer, uma grande parte da indústria já adaptado aos padrões de emissão ultrabaixa e eles não veem a China recuar significativamente no mercado de exportação. O BBI espera que os preços do minério de ferro fiquem em uma média de US$ 130 a tonelada em 2021.

(com Reuters)

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