Mineradoras e siderúrgicas não se acertam e desfecho pode ser no mercado spot

Cisa já foca em como negociar à vista, apesar da alta nos preços; Fitch diz que Vale tem "forte incentivo" para vender no spot

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SÃO PAULO – Caso as negociações entre mineradoras e siderúrgicas não cheguem a um desfecho amigável na China, a Cisa (China Iron and Steel Association) requisitará as demandantes para acertarem conjuntamente preços no mercado spot, a fim de evitar especulações com vendas individuais.

“Se as conversas para os reajustes falharem, deve haver um guia de preços para o minério spot”, afirmou Shan Shanghua, secretário-geral da Cisa. “As siderúrgicas não devem negociar sozinhas”, completou, ressaltando ainda que as demandantes devem também acertar de quanto em quanto tempo haverá estabelecimento de preços.

Sem referência

Nas negociações anteriores, o primeiro acerto no continente servia como referência para as demais conversas. Conforme palavras de Shanghua, a China não concordará em um corte de 28% nos contratos com a Vale (VALE3, VALE5), reajuste igual ao acertado entre a brasileira e as siderúrgicas sul-coreanas e japonesas.

Enquanto isso, os preços do minério de ferro no mercado spot subiram 20% nos últimos dois meses. Nesse sentido, a associação pede para que siderúrgicas e traders não participem agora de leilões no mercado spot, para que os preços possam declinar com a queda na demanda.

Desunião favorece mineradoras

Contudo, de acordo com reportagem do Southern Metropolis Daily, siderúrgicas na China realizam acertos individuais nos contratos, tendo inclusive um número de companhias na província de Shanxi, localizada no norte do país, já negociado os reajustes com o tripé composto por Vale, BHP Billiton e Rio Tinto.

Executivos da mineradora brasileira não confirmaram as conversas, mas a própria Cisa forneceu indícios de que alguns reajustes já foram concretizados, à medida que opinou quanto à falta de validade dos mesmos, a não serem reconhecidos como parâmetro para os cortes nos contratos maiores.

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Além das indicações, a associação chinesa afirmou que revogará licenças de importação caso alguma empresa prejudique a posição do país nas negociações com as mineradoras, dadas as assinaturas particulares. Vale ressaltar que o jornal utilizou como fonte Zhu Fengliang, secretário geral da Sisa (Shanxi Iron and Steel Association), instituição análoga à Cisa, mas com atuação limitada à província de Shanxi.

Mercado spot ganha força

Tanto a Cisa quanto o tripé minerador almejam chegar a um acordo. No entanto, se isso não ocorrer, a Vale possui um “forte incentivo” para continuar com suas vendas no mercado spot, segundo análise da Fitch Ratings. “A Vale não quer perder a competitividade já atingida com as siderúrgicas asiáticas que acertaram os contratos”, observa Joe Bormann, diretor da divisão latino-americana da agência de classificação de risco.

Entre tantas incertezas, as negociações deverão “revelar um impasse prolongado”, conclui a Fitch, ao passo que as siderúrgicas chinesas mantêm o desejo de reduzir os preços em 45%, de acordo com Su Aik Lim, diretor da agência na unidade da Ásia e do Pacífico. Conforme seu viés, o poder de barganha está do lado demandante, dados os elevados estoques ainda existentes na China, além da crença de que um reajuste menor que 45% resultará em prejuízo operacional.