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Responsáveis por grande parte da oferta de emprego no país, as micro e pequenas empresas (MPEs) deverão fechar o ano com uma performance econômica relativamente negativa, segundo o Sebrae-SP, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo. O faturamento com vendas e serviços registrarão uma queda de 7% em 2001, de acordo com uma pesquisa feita com aproximadamente 2.600 empresas em todo Brasil.
O que aconteceu em 2001
No início do ano, as perspectivas para a economia brasileira eram bastante otimistas, fazendo com que as MPEs aumentassem a contratação de mão-de-obra, tendência que foi verificada até o mês de abril. No entanto, a desaceleração da economia norte-americana, o agravamento da recessão na Argentina e a crise energética no Brasil reverteram esse quadro, obrigando os empregadores a cortar postos de trabalho. A previsão do Sebrae é de que as micro e pequenas empresas fechem o ano com praticamente o mesmo número de trabalhadores verificados em 2000.
Com relação aos salários, haverá um crescimento de 3,5% da massa salarial no ano, porém em termos reais, isto é, depois de descontada a inflação prevista de 7,0%, deverá cair 4,0%, aproximadamente. Desta forma, contrariando as perspectivas do início do ano, houve uma redução no nível de renda do trabalhador. O próprio Governo, que iniciou 2001 com a expectativa de um crescimento econômico de 5,0%, já anunciou que um aumento de 2,0% do PIB é o mais provável.
Aparentemente, o impacto do racionamento não foi o maior entrave para as MPEs. Em junho 71% das empresas já haviam se adaptado às metas de consumo. É possível até enxergar um ponto positivo na crise energética. O produtor verificou que consegue produzir gastando menos e preservando os recursos energéticos.
Expectativas para 2002
Com a ajuda da consultoria LCA – Luciano Coutinho e Associados – e de seus economistas, o Sebrae-SP acredita que o horizonte econômico será melhor a partir do segundo semestre de 2002. A primeira metade do ano ainda será complicada para a economia, mas com a recuperação da atividade econômica nos EUA e a estabilização da crise na Argentina, o governo federal também poderá baixar os juros, fomentado o investimento e o consumo no Brasil.
Em 2001, apenas as grandes empresas foram beneficiadas com a desvalorização cambial, sobretudo em função das exportações. As micro e pequenas empresas ainda têm grande dificuldade de colocar seus produtos fora do país, já que existe para exportar é preciso atender ao volume mínimo requisitado, que é de um contêiner, ou o equivalente a 30 toneladas. Neste segmento, o Sebrae está apoiando a formação de consórcios de exportação, através dos quais os pequenos exportadores podem se juntar para atender a exigência mínima de volume.
Ações do Sebrae e acesso ao crédito
O maior problema para as MPEs é a falta de planejamento e de clientes e não necessariamente a falta de crédito. O BNDES dispõem de R$ 5 bilhões para investir nessa categoria de empresas. Na verdade recursos não faltam, mas a questão-chave é o modo que o dinheiro é destinado a esses empresários. Uma proposta do Sebrae-SP é a criação de micro-bancos com intuito de promover micro-créditos, como já ocorre nos EUA.
Segundo o diretor superintende do Sebrae-SP, Fernando Leça, o ideal é criar estruturas regionais para atender aos produtores. No Brasil, a realidade do interior de São Paulo é diferente daquela do sertão do Nordeste, por exemplo, e isso requer cuidados específicos. Um bom trabalho que está sendo feito é elaborado pelo Banco do Povo. Até outubro de 2001 a instituição havia concedido R$ 31,37 milhões para pequenos produtores no Estado de São Paulo, destinado principalmente para investimentos fixos. Muitos desses empreendedores beiram a informalidade, como é o caso de uma doceira ou de uma costureira. “Nós queremos trazer esse trabalhador para o mercado formal”, afirma Leça.
De acordo com Sérgio Perrone Ribeiro, diretor de agribusiness do Sebrae-SP, muitos produtores só vão ao banco quando já estão numa situação adversa. Eles não procuram orientação e começam um negócio sem ter idéia do mercado que terão pela frente. É por isso que o Sebrae oferece todo o apoio mercadológico e administrativo para as MPEs, com o objetivo de diminuir sua mortalidade. No terceiro ano, 56% das empresas fecham suas portas, enquanto no quinto ano, 71% já deixaram de existir. “Quase todo ano 120 mil empresas abrem, e 90 mil fecham”, explica Fernando Leça.