Publicidade
SÃO PAULO – Os analistas da Tendências Consultoria e dos bancos Bear Stearns, Credit Suisse e Santander não viram com bons olhos a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de manter a meta de inflação para 2009 em 4,5%, a mesma desde 2005.
Para a Tendências, a notícia foi muito negativa, uma vez que, a despeito das declarações do membros do CMN “mostrarem preocupação com os efeitos da manutenção da meta sobre a credibilidade da autoridade monetária, (…), o estrago já está feito” argumentaram os analistas em relatório.
Menor credibilidade do BC
O Credit Suisse e o Bear Stearns concordam que a atuação do CMN, em manter a meta, mas vir a público para sugerir que o BC irá mirar uma meta menor, tem como conseqüência uma redução da transparência na condução da política monetária, o que, segundo o Credit Suisse, reduz o poder de coordenação das expectativas, aumentando os custos associados às decisões de políticas monetárias.
Para o Bear Stearns, a orientação macroeconômica do segundo mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva está claramente se afastando daquela vigente em seu primeiro mandato.
Divergência sobre as expectativas inflacionárias
A despeito das incertezas que a decisão e as declarações criaram, os analistas do Bear Stearns não acreditam em mudanças na condução da política monetária ou mesmo nas expectativas para a inflação, já que o mercado não espera que o Banco Central permitirá aceleração da inflação.
Continua depois da publicidade
Esta percepção, porém, diverge daquela apresenta pela Tendências. A perspectiva da consultoria é de que haverá deterioração das expectativas para horizontes mais longos e juros mais elevados para se atingir a mesma inflação.
Todavia, a conseqüência do anúncio julgada como mais relevante pelo Bear Stearns decorre da percepção de que o ministro da fazenda, Guido Mantega, tem maior controle sobre a condução da política econômica e que o BC não foi capaz de influenciar a favor de uma meta menor, meta esta que era considerada adequada por grande parte dos analistas.
Crescimento econômico
Ainda que a decisão atribua ao Banco Central maior margem de manobra no caso de uma alteração nas condições econômicas, a percepção dos analistas da Tendências e do Credit Suisse é a de que o resultado da manutenção da meta não será satisfatório para o crescimento econômico. Segundo a Tendências, ao contrário do que o governo espera, a medida poderá acarretar em menor crescimento econômico.
Continua depois da publicidade
De acordo com o Credit Suisse, o governo sugere que uma inflação menor impediria a aceleração do crescimento econômico, esta percepção, porém, parece mal colocada para os analistas do banco. Isso porque, uma meta mais elevada tende a manter a incerteza inflacionária ainda elevada no horizonte de médio prazo, o que prejudica o planejamento dos investimentos e, por conseguinte, o próprio crescimento econômico.