Mesmo sem urgência de capital, UBS pode precisar de nova injeção

Desempenho recente das ações, com queda de mais de 50% em novembro, justifica viés pessimista das autoridades suíças

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SÃO PAULO – Em tempos pautados pela restrição de liquidez, o UBS provavelmente necessitará de uma nova injeção de capital pelo Estado, ao passo que suas ações despencaram mais de 50% somente neste mês em Zurique.

“Quando você vê o desempenho das ações, é realmente uma questão aberta se o pacote de resgate é suficiente”. A afirmação é de Daniel Zuberbuehler, diretor da Comissão Federal Bancária Suíça – instituição análoga à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). “Caso aconteça algo mais, ele [UBS] necessitará incrementar seu capital, quer queira, quer não”, completou a autoridade.

Fusão descartada

Dentre as possibilidades para a obtenção de capital, a fusão com o rival Credit Suisse poderia ser uma solução. No entanto, para Zuberbuehler, tal movimento não resolveria os problemas do UBS: “isto não seria bom; não queremos um monstro para esta pequena nação”. Além disso, a venda do maior banco suíço tornou-se mais difícil recentemente, dado que um hipotético comprador teria que arcar com os US$ 60 bilhões em ativos ilíquidos, detidos pelo UBS e controlados pelo banco central, como penhora ao resgate.

Em adição, cabe ressaltar a prontidão estatal acerca de qualquer passo dos bancos suíços, parte explicada pela elevada dependência econômica do país em relação ao setor financeiro. “Como em muitos países estrangeiros, o Estado deve injetar mais capital se necessário”, completa Zuberbuehler.

Ações refletem calma

Todavia, o UBS aparentemente não precisa de liquidez imediata. “Na nossa visão, não há necessidade para uma injeção adicional de capital”, explanou Dominique Gerster, porta-voz da instituição financeira, contrariando a visão de Daniel Zuberbuehler.

Entre as expectativas pessimistas do Estado e a calmaria propagada pelo próprio banco, o segundo fator sobrepõe-se ao primeiro e parcialmente justifica a forte valorização de 7,2% dos papéis do UBS neste pregão em Zurique.