Mesmo que apresente sessões voláteis, Ibovespa ainda tem espaço para subir

Agenda dos EUA pode sustentar semana de alta; por aqui, temporada de balanços ganha fôlego, com Vale e Petrobras

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SÃO PAULO – No dia 9 de fevereiro, o Ibovespa fechou no menor patamar observado até agora em 2011, em 64.217 pontos. Naquele momento, o índice amargava no ano queda pouco maior do que 7%. Depois desse dia fatídico, no entanto, o mercado embalou. De lá para cá, foram sete pregões, dos quais em seis o índice terminou no positivo, recuperando assim os 68 mil pontos. 

Alguns fatores podem explicar essa retomada. A primeira justificativa é a mais simples: o índice simplesmente estava muito barato. Esse espaço para oxigenação não foi exclusividade do Brasil, mas uma tendência dominante nos mercados emergentes, lembra o Barclays Capital. Mas o alívio, para o banco, pode ter sido apenas técnico. 

Não é essa a opinião de André Perfeito, economista da Gradual. “Em um mercado bastante descontado, havia e ainda há espaço para recuperação”, disse Perfeito, lembrando que a agenda dos Estados Unidos também contribuiu na última semana.

Mais otimismo lá e cá
Apesar de alguns dados terem ficado abaixo da expectativa, como a produção industrial, o Fomc (o Copom norte-americano) mostrou na ata de sua última reunião que está mais confiante com a economia do país. Assim, o Federal Reserve passou a projetar um avanço do PIB (Produto Interno Bruto) entre 3,4% e 3,9% em 2011, frente a expectativa anterior de alta entre 3,0% e 3,6%.

Além disso, nesse meio tempo, o governo mostrou força política e aprovou com folga o reajuste do salário mínimo para R$ 545 na Câmara dos Deputados, o que em termos reais significa estabilidade para os ganhos dos trabalhadores. A medida, lembrou o Barclays, preservou ainda a viabilidade do corte de R$ 50 bilhões do Orçamento. Unindo isso à perda de momento mostrada pelo IBC-Br, que indica o PIB mensal do Brasil, o Barclays avalia que é fácil entender a descompressão dos prêmios na curva de juros futuros. 

“Já está ocorrendo um alívio em relação às altas do juros básico”, afirmou Eduardo Oliveira, operador da Um Investimentos. Oliveira é claro ao afirmar que o arrefecimento do temor com a pressão inflacionária não é uma indicação de que os preços tenderão a convergir para a meta ainda este ano, mas mais uma leitura, pelo mercado, de que o governo será firme no combate à inflação, utilizando outros meios que não apenas a alta da Selic. 

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Agenda continua em destaque
Com isso, podem ter um respiro maior setores que sofreram bastante neste início de ano, tais como imobiliárias, que já foram destaque de alta nesta sexta-feira, ou varejistas. Pelo mesmo motivo será importante acompanhar a divulgação do IPCA – 15, que funciona como a prévia do índice cheio, e do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de fevereiro, sinaliza Perfeito, da Gradual. 

Na semana passada, alguns indicadores já mostraram evolução mais contida dos preços da alimentação. A tendência, se apresentada também nas novas divulgações, tende a ser considerada positiva, acredita Perfeito. 

Além dos dados nacionais, a agenda norte-americana ainda traz dados importantes, que podem sustentar mais uma semana de alta para os mercados. Entre os destaques que faz Eduardo Oliveira, da Um Investimentos, estão a confiança do consumidor, já que o consumo é componente importante do PIB do país, os pedidos de auxílio-desemprego e o próprio crescimento da economia norte-americana. A prévia do dado, que apontou expansão de 1,7% no quarto trimestre na versão preliminar, será divulgada na próxima sexta-feira (25). 

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Dados precificados, mas alta continua
Ainda assim, tanto Oliveira quanto Perfeito acreditam que, em parte, a recuperação dos EUA já está precificada, principalmente por lá, onde os mercados subiram de forma consistente neste início de ano. Assim, uma realização de lucros pode começar a partir de março, e esta seria, na opinião do operador da Um Investimentos, a última semana positiva sustentada pela agenda econômica norte-americana. 

Mas embora vejam espaço para altas por aqui, os dois apresentam certa cautela. Perfeito, por exemplo, lembra que mesmo com a valorização recente, o Ibovespa não inverteu a tendência e pode ser atrapalhado por eventuais más notícias, como o aumento previsto para a taxa de desemprego nacional. 

Blue chips divulgam balanços
Oliveira, por sua vez, destaca a possibilidade de alguns pregões serem mais voláteis, influenciados pelos balanços de grandes empresas esperados para a semana. A começar por Itaú Unibanco (ITUB4), na terça-feira (22). Como o Banco do Brasil (BBAS3) e o Bradesco (BBDC4) já apresentaram bons números, a expectativa, diz Oliveira, é positiva, e espera-se que a instituição financeira mostre ainda redução dos custos. 

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Na quarta-feira (23), destaque para o resultado da Usiminas (USIM3, USIM5). As siderúrgicas vivem um momento delicado, com aumento das importações e redução das margens, e o mercado está ansioso para observar como isso irá se refletir no balanço da companhia, acredita o operador. 

A Vale (VALE3, VALE5) deve roubar a cena na quinta-feira (24), e o mercado antecipa mais um resultado forte, impulsionado pela demanda chinesa por minério de ferro e pelos preços altos que estão sendo praticados. No entanto, como o país está tentando desacelerar a demanda para conter a inflação, Oliveira aguarda para observar o mix de vendas da empresa, esperando por menor dependência do minério de ferro. 

Por fim, a Petrobras (PETR3, PETR4) deverá encerrar a semana com a divulgação de seu resultado. Além dos números no balanço, Oliveira indica atenção ainda para a teleconferência com a administração da empresa, que ocorrerá só na outra semana.