Mesmo com taxa de câmbio elevada, remuneração do trigo segue baixa

A desoneração das exportações de trigo efetuada pelo governo argentino deve elevar a competitividade do país no mercado internacional do produto

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SÃO PAULO – O preço médio mensal recebido pelos triticultores paulistas de R$42,14 por 60 kg, de janeiro de 2016, vem acompanhando a paridade de importação. Contudo, mesmo com a elevada taxa de câmbio, está abaixo dos preços vigentes no período entre janeiro de 2013 e junho de 2014, quando as cotações em alta levaram às sucessivas expansões de área e produção nos três últimos anos. É o que aponta relatório divulgado pelo Instituto de Economia Agrícola de São Paulo (IEA).

Com o dólar fixado em R$4,1/US$, cotação média de janeiro de 2016 de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a paridade de importação de trigo da Argentina é de US$195,14/t, equivalente a R$795,00. No mesmo período, para o trigo importado dos Estados Unidos, a paridade é de US$256,54, equivalente a R$1.045,00/t. Dessa forma, para o produto em saca de 60 kg, os preços correspondem, respectivamente, a R$47,7 e R$62,7 para origem argentina e estadunidense.

O trigo em São Paulo, cuja época de plantio se estende de março até maio, encontra em 2016 uma conjuntura de mercado menos favorável.

A desvalorização do real pode elevar ainda mais os custos de produção em relação aos de 2014 e 2015, especialmente o gasto com insumos. Mesmo que esteja perdendo força nos últimos dois meses, a taxa de câmbio vigente, de R$3,7, ainda está alta.

A desoneração das exportações de trigo efetuada pelo governo argentino deve elevar a competitividade do país no mercado internacional do produto. A Argentina é o principal fornecedor de trigo para o Brasil e os efeitos dessa política foram parcialmente neutralizados na atual safra, uma vez que o excesso de chuvas prejudicou a qualidade do cereal argentino, fato que se observou também nas lavouras do Rio Grande do Sul.