Em alta

Mesmo com resultados ruins, ações do setor de construção civil têm alta

De acordo com analistas, movimento se deve à volatilidade de mercado e queda recente de ações do que aos resultados

SÃO PAULO – Em um dia instável para o o Ibovespa, as ações das empresas de construção civil vêm sendo destaque de alta na sessão desta quarta-feira (15). Por volta das 15h40 (Horário de Brasília), as ações da Brookfield (BISA3) eram destaque de alta, com valorização de 6,97%, aos R$ 3,53, após a divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre de 2012.

Além disso, a Gafisa (GFSA3), que divulgou os resultados no última sexta-feira (10), registram ganhos de 5,20%, aos R$ 3,44. Enquanto isso, outras companhias que reportaram seu balanço também veem as suas ações operarem no positivo, dentre elas, a PDG Realty (PDGR3, R$ 3,44, 3,30%), Rossi (RSID3, R$ 5,42, 2,46%), e Cyrela (CYRE3, R$ 16,59, 1,78%). Neste mesmo horário, o índice estava praticamente estável, com queda de 0,02%.

Resultados já precificados
De acordo com o analista da Geral Investimentos, Carlos Müller, a forte alta das ações da Gafisa está associada mais à volatilidade do mercado do que em relação ao balanço da construtora, que reportou lucro de R$ 1 milhão e uma menor alavancagem em relação às suas operações. 

Já com relação às outras construtoras, que reportaram o resultado depois da última sessão, a alta das ações decorre após uma forte queda nos últimos pregões, de acordo com o analista da Amaril Franklin, Eduardo Machado. Essa forte baixa dos papéis nos últimos dias é fruto da antecipação  dos resultados – a expectativa era de números muito ruins para o setor em geral. 

A maior parte das companhias do setor registraram nível de receita estável em relação ao primeiro trimestre deste ano, mas forte queda no lucro operacional, com uma perda de rentabilidade, ressalta Machado.

Já do lado positivo, o analista do BB Investimentos, Wesley Bernabé, avaliou o resultado da Cyrela positivamente, principalmente pela efetividade da estratégia de priorização de mercados e produtos com maiores margens, o que tem se refletido na recuperação gradativa dos patamares históricos de retornos. Vale ressaltar que, após os resultados, a companhia ainda divulgou que irá realizar um programa de recompra de ações

Entretanto, no campo das frustrações, esteve o balanço da PDG, avalia a analista Karina Freitas, da Concórdia Corretora. O fraco desempenho em vendas não permitiu constatar nem a melhora no mix de produtos, aliado a continuidade de problemas na condução das obras. E quanto às perspectivas, elas ainda são desafiadoras para a empresa, afirma Karina. “Por ora, acreditamos que existem alternativas melhores de investimento neste setor para aqueles investidores que queiram ficar expostos ao mesmo”, avalia a analista.

Melhoras à vista?
O analista da Amaril Franklin destaca a perspectiva para o setor não é positiva devido à desaceleração dos preços dos imóveis após a forte alta nos preços dos imóveis nos últimos anos. 

Entretanto, mesmo com as expectativas mais negativas para o setor, a Rossi, que surpreendeu o mercado com prejuízo no trimestre, apresentou um cenário mais promissor para a empresa. A companhia apresentou durante teleconferência projetos para reorganizar suas operações e lançar novas unidades de negócio.  

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Já a Brookfield não mostrou expectativas muito melhores para os próximos trimestres. Segundo o diretor-executivo da empresa, Cristiano Machado, a companhia deve continuar consumindo caixa até 2013, com o aumento nos custos de projetos levando a uma revisão de seu orçamento, o que já influenciou no prejuízo do segundo trimestre.