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SÃO PAULO – Os combustíveis, cotados como principal culpado da alta de preços no varejo paulistano em março, começam a ter seus preços diminuídos. O etanol já está 15% mais barato em comparação às últimas três semanas. Para o HSBC Investimentos, mesmo com a queda nos valores do álcool, por conta do aumento dos estoques e o início da safra brasileira, os fundamentos do setor continuam fortes o suficiente para garantir boas margens durante todo este ano.
A equipe de análise afirma que os estoques globais de etanol seguem pequenos, enquanto a queda de preços não é tão significativa, principalmente se comparada à alta de 66% do etanol em relação ao mesmo período do ano passado. “As atuais dinâmicas indicam que produtores novamente irão preferir elevar sua alocação de cana de açúcar para o açúcar, ao invés do etanol”, completa o trio de analistas composto por Pedro Herrera, Diego Maia e Ravi Jain, indicando que a queda dos preços não tende a ser tão rápida.
Governo busca soluções, mas saída é aumentar a capacidade produtiva
O aumento de preços do combustível preocupa também o governo, que pensa em alternativas como a diminuição da porcentagem de etanol na gasolina, dos atuais 25% para 20%. A medida já foi adotada em 2010 e é tida como o movimento mais provável no curto prazo.
Há ainda a possibilidade de declarar o álcool um combustível estratégico, a ser regulado pela ANP (Associação Nacional do Petróleo), que tornaria o volume dos estoques mais transparentes ao governo. Tornar as exportações menos atrativas, por meio de taxações, também estaria entre as hipóteses.
Embora as soluções possam aliviar as pressões de custo do combustível, sua eficácia é de curto prazo. “O objetivo de longo prazo continua o aumento da capacidade produtiva de etanol, na qual o governo está focado ultimamente”, dizem os analistas em relatório.
Petrobras pode aumentar sua participação no setor
Ainda é sugerido um aumento de participação do governo no mercado de etanol via Petrobras (PETR3, PETR4), segundo o banco. A atual crise de abastecimento poderia representar uma oportunidade para a empresa crescer no setor. A estatal já sinalizou que planeja expandir seu market share em quase 10% até 2014, segundo entrevista do presidente da divisão de biocombustíveis da empresa, Miguel Rosseto, à Agência Estado.
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Para atingir uma capacidade produtiva almejada em 2,6 bilhões de litros daqui a três anos, a estatal provavelmente se associaria a Guarani e a São Martinho. A Petrobras poderia aumentar seus estoques na baixa de preços, para controlar os preços domésticos durante a entressafra, sugere o HSBC.
Alta de preços, também tornou o etanol menos competitivo
Apesar da alta de preços significar maiores lucros, ela também trouxe a redução da competitividade do etanol, mesmo em relação à gasolina. O consumo de etanol caiu pela primeira vez em 8 anos, em 8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O combustível atende às necessidades de metade da frota de veículos leves.
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Cosan é preferência no setor
Por ser o player mais deversificado e verticalizado, a Cosan (CSNA3) deve performar melhor em um ambiente de menores e mais estáveis preços de açúcar e etanol. No entanto, é preciso cautela no curto prazo por causa dos assuntos pendentes com o governo.
Já a São Martinho (SMTO3) continua como o player mais eficiente na indústria, mesmo que suas ações tendam a ser negociadas em linha com os preços do açúcar, que caíram de altas históricas mas devem se estabilizar nos níveis atuais. Por fim, a Tereos passa por um momento delicado, tanto pelo aumento de 11% em ações em circulação, quanto pela volatilidade do mercado de grãos.