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SÃO PAULO – Após terem mostrado significativa redução em 2002, fruto dos temores do mercado em relação à eleição presidencial, o estoque de linhas de crédito interbancárias disponíveis para o Brasil surpreendeu e voltou a cair em 2003, mesmo apesar do melhor cenário econômico.
De fato, no final de dezembro do ano passado o estoque de linhas de crédito atingiu US$ 13,585 bilhões, uma ligeira melhora frente ao nível de US$ 13,061 bilhões em novembro, mas uma nova queda em relação ao final de 2002, quando atingia US$ 14,516 bilhões. Vale lembrar que, em dezembro de 2001, o patamar era de US$ 20,385 bilhões.
Embora as linhas destinadas ao financiamento do comércio exterior tenham aumentado em 2003, a queda no estoque total de linhas interbancárias se deveu à redução nas linhas disponíveis para outras operações, como Resolução 2.770, overdrafts, time deposits, certificate of deposit e operações de repo.
Linhas comerciais aumentaram
Refletindo o maior fluxo comercial brasileiro, principalmente do lado das exportações, o estoque de linhas vinculadas ao crédito para o comércio exterior cresceu 2,8% em 2003, passando de US$ 9,832 bilhões em dezembro de 2002 para US$ 10,111 bilhões no final do ano passado. Contudo, em dezembro de 2001 estas linhas somavam US$ 14,298 bilhões.
O destaque ficou com as linhas destinadas à exportação, que aumentaram 19,51%, de US$ 6,56 bilhões em dezembro de 2002 para US$ 7,84 bilhões no final do ano passado. Já as linhas voltadas para o financiamento das importações mostraram forte queda, passando de US$ 3,272 bilhões para US$ 2,271 bilhões no mesmo período.
Por sua vez, as linhas de crédito não vinculadas ao comércio (overdrafts, time deposits, certificate of deposits e operações de repo) apresentaram queda entre 2002 e 2003, passando de US$ 4,684 bilhões para US$ 3,474 bilhões, o que representa uma redução de 25,8%.
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Dados surpreenderam negativamente
Estes dados, que fazem parte da Nota do Setor Externo, divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central, decepcionaram, já que evidenciam que, apesar da situação de elevada liquidez no mercado internacional, o mercado de linhas interbancárias segue bastante restrito ao Brasil.
Assim, mesmo apesar do melhor cenário para a economia brasileira, o estoque de linhas foi reduzido em 6,41% no ano passado, acumulando uma redução de 33,4% desde o final de 2002.