Mesmo com intervenções do BC, dólar comercial sobe forte frente ao real

Preocupação com setor financeiro penaliza mercados e intimida euforia com a posse de Barack Obama nos EUA

Publicidade

SÃO PAULO – As incertezas referentes à saúde do setor financeiro mundial vieram fortes nesta terça-feira (20), penalizando o desempenho dos principais mercados globais. Em resposta, o dólar comercial voltou a subir frente ao real depois de duas quedas consecutivas.

A mesma tendência de alta da moeda norte-americana pôde ser observada frente às principais divisas de referência internacional, sinalizando o forte movimento de aversão ao risco entre os investidores.

Buscando conter o avanço do dólar, o Banco Central realizou mais três leilões de contratos de swap cambial tradicional. Dessa vez, pouco menos de 50.000 dos 54.000 contratos ofertados foram absorvidos, o que movimentou um total aproximado de US$ 2,462 bilhões.

Além disso, foi realizado novo leilão de dólares no mercado à vista, já que a divisa norte-americana continuou sua escalada. A taxa de corte para a venda da moeda ficou em R$ 2,3578.

Pessimismo externo

O nervosismo teve origem lá fora, com novas preocupações acerca do setor financeiro. O Royal Bank of Scotland, que na véspera reportou o maior prejuízo de sua história, anunciou que o governo britânico ampliará o seu controle no grupo para incluí-lo no plano de &poun; 100 bilhões criado no começo do ano.

Com os temores em relação ao futuro da saúde econômica mundial, as commodities apresentam queda, diante da perspectiva de menor demanda. Esse fator aumenta as preocupações acerca da balança comercial brasileira, que acumula déficit neste início de ano.

Continua depois da publicidade

Discurso de posse de Obama

Em seu discurso de posse, Barack Obama ressaltou novamente a necessidade de união e superação da crise, ao mesmo tempo em que criticou a excessiva liberdade dos mercados. Entre os diversos problemas apontados pelos indicadores, o presidente destacou a perda de confiança dos norte-americanos na economia do país como o principal.

Ressaltando que os EUA continuam como a nação mais poderosa do mundo, com suas capacidades produtivas intactas, o novo presidente afirmou que não somente trabalhará para criar novos empregos, como buscará plantar as bases para o crescimento futuro. Segundo ele, os investimentos em infraestrutura e educação que pretende realizar serão responsáveis pela prosperidade futura do país.

Confira as cotações

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,3630 na compra e R$ 2,3650 na venda, forte alta de 1,50% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 2,5500, representando um ágio de 7,91% em relação ao dólar comercial.

Continua depois da publicidade

Com esta alta, o dólar acumula valorização de 1,20% em janeiro, frente à alta de 0,73% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 1,20%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em alta

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em fevereiro encerrou o dia cotado a R$ 2.379, forte alta de 1,54% em relação ao fechamento de R$ 2.343 da última segunda-feira. O contrato com vencimento em março, por sua vez, fechou em forte alta de 1,57%, atingindo R$ 2.397 frente à R$ 2.360 do fechamento de ontem.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,3710.

Continua depois da publicidade

FRA de cupom cambial

Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 0,80% para março de 2009, 0,10 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.