Mesmo com fundamentos mais fracos, petróleo deve continuar em ascensão

Enfraquecimento do dólar e sinais de que a recessão pode acabar na segunda metade deste ano elevam interesse por commodity

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SÃO PAULO – Não foram apenas os mercados acionários que surpreenderam nos últimos dois meses. Simultaneamente à disparada na renda variável, as commodities também estiveram no foco dos investidores, atraindo mais fundos em um ritmo mais rápido.

Não a toa, o preço do petróleo subiu aproximadamente 50% nos mercados de Londres e Nova York desde janeiro até 28 de maio, com os barris sendo negociados no patamar dos US$ 64.

“O principal driver de preços mais altos são os dados sugerindo que a recessão global poderia acabar no final deste ano”, explicam os analistas do banco BMO, ressaltando a aparente recuperação nas exportações e indústria asiáticas. “Isso é importante, dado que boa parte do crescimento global na demanda por combustível tem sido na Ásia e outros mercados emergentes”, completa.

Para a equipe do BMO, um outro motivo para a alta nos preços é a evidência de uma grande complacência da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) com os cortes na produção, além de uma produção mais fraca em países que não fazem parte do grupo, especialmente no Mar do Norte.

Reunião da Opep

Por falar em Opep, a última sessão trouxe informações importantes sobre o cartel, já que marcou o encerramento da 153ª reunião. A decisão da organização foi manter as metas de produção inalteradas, embora a demanda permaneça fraca. A expectativa é de que a procura seja retomada parcialmente até o final deste ano.

“A decisão da Opep de manter as metas de produção inalteradas reflete largamente um reconhecimento de um ambiente econômico internacional ainda fraco”, comenta o Commonwealth. Completando a análise da instituição, os analistas do TB Bank acreditam que uma nova redução da produção do cartel poderia ter impulsionado os preços do petróleo, minando algumas melhoras na economia.

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Fundamentos X Dólar

Nas análises atuais sobre o mercado de commodities, é comum observar argumentos de que a forte alta no preço dos produtos não reflete os fundamentos, especialmente devido ao desequilíbrio entre demanda e produção.

Explicando o problema dos fundamentos, o TD Bank afirma que “enquanto a Opep cortou a produção em 9% desde o começo deste ano, o impacto foi parcialmente ofuscado pelo crescimento de 3% na produção de países de fora da Opep”. O resultado disso é que a produção caiu apenas 2,3% entre janeiro e abril, sendo que a demanda recuou 3,8%.

Porém, a pressão de fundamentos piores encontra no movimento do dólar um contraposto. Segundo os analistas do banco, a correlação negativa entre os preços do petróleo e a trajetória da divisa norte-americana se fortaleceu consideravelmente nos últimos meses.

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“Nós esperamos que o dólar continue a enfraquecer frente ao euro e outras moedas até o final deste ano, adicionando mais impulso nos preços do petróleo. No geral, nós suspeitamos que essa guerra entre a imagem fundamental e uma maior deterioração no dólar irá persistir nos próximos trimestres”, prevê o TD Bank.

Para onde o dólar vai?

Considerando todo esse cenário, os analistas do banco acreditam que o dólar ficará em torno do nível atual, entre US$ 60 e US$ 65 por barril, até o final de 2009. Em 2010, a expectativa é de que a commodity rume para o patamar dos US$ 75 por barril, acompanhando a recuperação modesta e a estabilização do dólar.

Já o CIO (Chief Investment Officer) do Clearbrook Financial, Tom Sowanick, aposta na alta do petróleo no médio prazo. “Nós sabemos que os drivers de preços do petróleo mais altos e estabilização do preço do ouro são o fortalecimento dos preços das ações e da confiança do consumidor. Os preços das ações, medidos pelo S&P 500, subiram cerca de 35% desde as mínimas de março e a confiança do consumidor subiu de 25,3% em fevereiro para 54,9% atualmente”.

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Para Sowanick, o petróleo oferece uma oportunidade de médio prazo para tirar vantagem de quatro fatores: fortalecimento do crescimento econômico, aumento nos preços das ações, enfraquecimento do dólar e fortalecimento da confiança do consumidor. Dessa forma, os preços do petróleo não somente devem subir como também impulsionar a performance dos papéis de petrolíferas.