Mesmo com forte alta no ano, TIM e Vivo ainda podem render bons retornos

Analistas citam habilidade das empresas em melhorar estrutura e investir na diversificação de clientes como necessidade

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SÃO PAULO – O ano não poderia estar melhor para Vivo (VIVO4) e TIM (TCSL3, TCSL4). Com boas perspectivas que rondam o setor de telecomunicações, as ações preferenciais dessas empresas acumulam fortes altas em 2011, destoando no comportamento médio da bolsa: os papéis preferenciais da Vivo subiam 39,73% até o fechamento da última segunda-feira (23), enquanto os ativos ON e PN da TIM registravam ganhos acumulados de 30,88% e 40,83%, nessa ordem. 

Com esse ciclo favorável, seria difícil pensar em novas valorizações, mas os analistas estão confiantes nesses papéis, ressaltando também os bons resultados apresentados no trimestre.

Para Leandro Martins, analista da Walpires, alguns setores estão conseguindo superar as dificuldades da bolsa, principalmente os setores domésticos cíclicos, e nesse ponto estão as empresas de telefonia.

Vivo: momento decisivo
Segundo Kelly Trentin, analista da Spinelli, a Vivo se beneficia de um mercado em ascensão. Sua forte aposta em smartphone foi muito acertada, já que esse é um segmento que cresce a plenos pulmões no País.

O analista técnico da Pax Corretora, Vitor Leitão, acredita que a trajetória de alta para VIVO4 pode chegar até R$ 70,00, o que ele destaca como uma “zona de acumulação”. Por isso, ele acredita que essa pode ser uma ótima opção no curto prazo.

Porém, as perspectivas positivas devem ser acompanhadas de incertezas, principalmente em função da junção de suas ações com a Telesp, sugere Kelly. A troca deve ocorrer ainda no curto prazo e a partir de então, a Vivo passará a atuar como uma empresa integrada, aproveitando os ganhos com sinergia no futuro. Mesmo considerando os benefícios, esse tipo de operação cria um certo clima de tensão. “Ao longo do tempo é que vamos ver se as perspectivas são realmente boas”, avalia a analista.

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Pressão fica para ordinárias
Se o ano tem sido positivo para VIVO4, o mesmo não pode ser dito para a VIVO3. No ano, a ação ordinária acumula perdas de 36,88%, com um volume de negócios fraco. Segundo a analista da Spinelli, esse movimento é explicado pela oferta de tag along (direito dos outros acionistas de receber um percentual do valor pago pelas ações dos controladores em caso de venda do controle da empresa) da ação.

“Esse papel não tem mais liquidez, quem sobrou com ele na mão se desfez e isso contribuiu para a queda. Com esse movimento, quem se favoreceu foi a PN”, ressalta.

TIM: alta vai além do Novo Mercado
Os investidores que detêm ações da TIM, por sua vez, ainda podem se surpreender com os papéis, já que as boas perspectivas para a empresa não se esgotaram. Com o anúncio de migração para o Novo Mercado da BM&F Bovespa as ações entraram em disparada, acumulando expressiva alta, e ainda vislumbram potencial na bolsa.

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Segundo Maria Tereza Azevedo, analista da Link Investimentos, a empresa deve continuar se beneficiando porque será a única do setor de telecomunicações a integrar o Novo Mercado, o que, além de melhorar sua governança corporativa, também aumentará a liquidez dos seus papéis.

Para Martins, da Walpires, é importante observar que mesmo algumas ações em alta estão tentando romper o limite que parecem ter alcançado, baseadas em um cenário favorável. Kelly concorda com essa visão e vê na TIM uma forte capacidade de avanços operacionais.

A analista cita como pontos fortes o menor subsídio concedido à compra de aparelhos e o tráfego à longa distância, um dos diferenciais da companhia.

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Pontos fracos
Mas as pressões também existem. Um ponto que joga contra a TIM é o fato de ela ser a única empresa de telefonia que não está ligada a um outro grande grupo. Além disso, ao longo do tempo a empresa foi se transformando em uma companhia focada apenas em celular. No início, essa estratégia permitiu extrair alguns benefícios frente a seus pares, porém esse foco começa a se traduzir em temor para o longo prazo.

No geral, contudo, os analistas concordam que a TIM pode superar os obstáculos e continuar crescendo. A Telecom Itália vê na empresa um órgão importante para seus negócios e a possibilidade que a companhia se a um outro grande grupo no futuro pode melhorar seu investimento em infraestrutura, diversificar a estrutura de custos e sua base de clientes.