Mesmo com corte de produção da Opep, petróleo volta a fechar em baixa

Em reunião, cartel decidiu cortar 1,5 milhão de barris em sua produção; preocupações quanto à recessão predominaram

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SÃO PAULO – Apesar da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) ter confirmado as expectativas de reduzir a meta de produção de óleo bruto, o preço do barril voltou a ter forte queda nesta sexta-feira (24), influenciado pelos temores quanto a uma recessão global, o que diminuiria a demanda pela commodity.

Em reunião extraordinária, a Opep decidiu cortar 1,5 milhão de barris na cota de produção dos membros. A medida foi tomada por causa da forte desvalorização que o petróleo vem sofrendo desde julho – e do agravamento dessa queda com o início da crise financeira internacional.

Diante dos temores de recessão global e conseqüente redução da demanda por matérias-primas, o corte é insuficiente para impedir a queda nos preços. Além disso, a redução já era de alguma forma esperada pelo mercado.

Reações ao corte

Rafael Ramírez, ministro do Petróleo venezuelano, afirmou estar satisfeito com a deliberação. “É uma decisão correta e que marca o início de uma política da Opep de tirar do mercado os volumes em excesso”, reforçou.

Tanto o governo norte-americano quanto o britânico reprovaram a nova política do grupo. A Casa Branca acusou a decisão de ser anti-mercado, enquanto o secretário britânico da Energia afirmou que a atitude era decepcionante.

A Itaú Corretora disse que a diminuição da produção surtirá efeitos sobre o preço da commodity somente no curto prazo, e, mesmo assim, modestos. A tese dos analistas fundamenta-se na inexistência de dados sobre os impactos da crise contemporânea de crédito na demanda por bens primários, que se deteriora a cada dia.

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Confira as cotações

A cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, fechou a US$ 60,64 no pregão desta sexta-feira, forte baixa de 7,65% em relação ao último fechamento.

Com o desempenho negativo no dia, o petróleo acumula forte baixa de 37,86% neste mês de outubro. Por sua vez, a variação no ano ficou negativa em 35,93%, já que a
commodity encerrou o ano passado cotada a US$ 93,89 por barril em Londres.

O contrato com vencimento em dezembro de 2009, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, fechou cotado a US$ 64,15 por barril, configurando uma baixa de 5,40% frente ao fechamento anterior.