Mesmo com avanço, volume de crédito ainda tem uma pequena participação no PIB

Relação entre crédito e PIB vem crescendo desde 2003, mas ainda está em patamares inferiores àqueles dos EUA, G-7 e Chile

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SÃO PAULO – Os dados recentes divulgados pelo Banco Central referentes às operações de crédito do sistema financeiro mostraram que as tendências verificadas nos últimos meses continuaram no mês de agosto. Em linhas gerais, os volumes dos créditos oferecidos pelos bancos cresceram, acompanhando a melhora da economia.

Apesar disso, quando observamos a proporção de créditos em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), percebemos que o avanço continua modesto. Em agosto de 2004, os créditos representavam 26,4% do PIB, frente aos 25,2% do mesmo mês do ano passado. Mesmo assim, continua muito inferior à média dos outros países.

Se analisarmos a série de tempo disponibilizada pelo BC, poderemos constatar que existe uma tendência de aumento desta participação do volume de crédito no PIB. Para se ter uma idéia, desde abril de 2003 esta proporção vem registrando elevação, já que no período era de 23,6%. Desde então, a razão crédito/PIB não pára de crescer.

Aumento do crédito acompanha o crescimento da economia

Um ponto importante que pode ser observado diz respeito à correlação existente entre o crescimento da economia e a evolução do crédito. No intervalo entre janeiro e junho deste ano, o PIB brasileiro cresceu 4,2%, enquanto o volume de crédito subiu 8,2%. Percebemos que o avanço não ocorre na mesma proporção, já que existem outros elementos que interferem.

Muitos analistas afirmam que mais crédito é condição necessária para a economia crescer. O crédito, por sua vez, também é influenciado pelo desempenho da economia. Vale citar que outros fatores que influenciam a carteira incluem taxas de juros e inadimplência. Os componentes que encarecem o crédito são: tributação, compulsórios, quadro institucional e política macroeconômica.

Vale salientar que juros reais elevados inviabilizam a busca de crédito, já que a maior parte dos setores da economia não consegue retorno que compense as taxas cobradas. Assim, para que a carteira avance, uma das medidas é reduzir o juro. Mas a tendência de queda da Selic, taxa básica, vericada nos últimos meses foi invertida, em função das meta de estabilidade de preços.

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Na quarta-feira passada, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), elevou a Selic para 16,25% ao ano.

Proporção crédito/PIB é muito inferior no Brasil

A proporção de crédito/PIB tem crescido no Brasil, como mostram os dados do BC. Em agosto de 2004, ela atingia 26,4%, frente aos 26% do início do ano e 25,2% de agosto do ano passado. Isso é positivo para a economia e para a população.

Entretanto, quando comparamos com outros países, vemos que a proporção do Brasil ainda é muito pequena. Pode-se citar, por exemplo, que ela foi de 144% nos EUA no segundo trimestre de 2003. Os países do G-7 também têm um volume de crédito elevado, de cerca de 122% do PIB, enquanto no Chile, a participação do crédito no PIB é de 64%.

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Assim, os dados mostram que o financiamento doméstico da economia brasileira continua marcado pelo conservadorismo das instituições financeiras na concessão de crédito. Isso mantém a baixa relação entre o crédito concedido pelo sistema financeiro e o PIB.