Mesmo com alta do IPCA-15, inflação deve permancer controlada, dizem analistas

Como principal causa do salto do indicador, a escalada dos preços de cigarros já deve ter sido em grande parte indexada

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SÃO PAULO – Nesta sexta-feira (22), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) surpreendeu grande parte do mercado ao anunciar inflação de 0,59% para o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15).

Considerado uma prévia do IPCA – o índice oficial da inflação doméstica – o indicador mostrou aceleração de 0,23 ponto percentual na comparação com medição equivalente feita no mês passado (0,36%). De acordo com analistas da Gradual Investimentos e da LCA Consultores, o resultado não deve, porém, pressionar o acumulado anual do indicador.

Para a corretora, nem a taxa mensal deve ser muito afetada: o principal fator de alta em maio foi o preço do cigarro, que sofreu com reajuste compensatório do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), reduzido em outras categorias de produtos.

No total, a subida dos preços relativos ao fumo foi de 18,42% em maio, mas o índice já deve ter absorvido grande parte da alta dos preços do produto ao longo de março e abril, o que suaviza seus possíveis efeitos sobre o percentual mensal para a inflação oficial.

Não apenas os cigarros

Outros grandes responsáveis pelo movimento ascendente do índice, que pegou de surpresa o mercado, foram os medicamentos: os produtos farmacêuticos sozinhos mostraram alta de 3,21% nesta aferição.

Em sequência, destaque também para as escaladas dos preços de energia elétrica (1,85%), empregado doméstico (1,35%) e produtos não alimentícios 0,68%).

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Desvios

O resultado do IPCA-15 de maio desviou-se da maioria das projeções do mercado. A mediana apurada pela Agência Estado previa alta de 0,46%, enquanto a LCA estimava subida de 0,43%. A Gradual, por sua vez, esperava que o índice acelerasse e chegasse a 0,55%.

Para a equipe de consultores da LCA, as defasagens são devidas à expectativa para os preços livres (especialmente dos cigarros), uma vez que os preços administrados observam movimento em linha com o projetado.

A consultoria reitera sua previsão de 4,50% para o IPCA ao final do ano, considerando o percentual deste IPCA-15 um fator confirmador dessa expectativa. Já para o fim do mês de maio, entende que a alta será de, pelo menos, 0,50%.

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Controle, portanto, ainda é a palavra de ordem. Os analistas da Gradual percebem para o curto e médio prazos uma inflação doméstica bem comportada, sem “perigos sérios” ao andamento do nível de preços no Brasil.