Mesmo com ação do BoJ, instabilidade impera nas bolsas internacionais

Índices europeus invertem trajetória e operam em queda, enquanto futuros de Wall Street oscilam entre leves altas e baixas

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SÃO PAULO – As novas medidas de estímulo do Japão até ameaçaram, mas não conseguiram manter os mercados acionários europeus e os futuros dos Estados Unidos no território positivo nesta manhã. Depois do impulso inicial, os principais índices do Velho Continente inverteram o sinal, enquanto os futuros de Wall Street operam entre leves altas e baixas.

O BoJ (Bank of Japan) anunciou uma expansão de Y 10 trilhões (US$ 116 bilhões) em seu programa de empréstimos nesta manhã. Porém, se a intenção era melhorar a confiança e enfraquecer o iene, o objetivo não foi atingido: tendo decepcionado o mercado em termos de volume, o estímulo abaixo do esperado não melhorou a perspectiva da moeda, que voltou a apreciar frente ao dólar.

Por outro lado, as novas medidas no Japão sinalizam ao investidor que os bancos centrais estão atentos ao enfraquecimento da recuperação global. O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, já havia falado na sexta-feira (27) que fará o que for necessário para garantir a retomada da economia.

Agenda em foco
Além das referências vindas da Ásia, a agenda dos Estados Unidos chama a atenção nesta segunda-feira (30). Será divulgado às 9h30 (horário de Brasília) o Personal Income and Outlays, que traz os dados dos gastos e renda dos cidadãos norte-americanos e o núcleo do PCE (Personal Consumption Expenditure), uma das medidas de inflação favoritas do Fed.

Na Europa, os indicadores também ficam em foco. Segundo a Comissão Europeia, a confiança no cenário econômico na Zona do Euro subiu para 101,8 pontos em agosto, atingindo o maior patamar desde março de 2008. Os destaques positivos ficaram com o Reino Unido e com a Alemanha, enquanto Espanha e França tiveram melhoras menos significativas na confiança.

Por falar em Reino Unido, onde nesta segunda-feira os mercados permanecem fechados devido a feriado bancário, o preço das casas na região caiu no pior ritmo em 16 meses. O custo médio de uma casa caiu 0,3% em agosto, maior queda desde abril de 2009, segundo dados da Hometrack.

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Fusões e aquisições
Na cena corporativa, quem continua em pauta são as fusões e aquisições. A farmacêutica francesa Sanofi-Aventis ofereceu US$ 18,5 bilhões pela empresa de biotecnologia Genzyme, sinalizando que considera todas as opções para completar a transação – o que foi interpretado pelo mercado como uma possibilidade de oferta hostil.

No setor de tecnologia, a Intel concordou em comprar a unidade de wireless da Infineon Technologies por cerca de US$ 1,4 bilhão. Já no campo da siderurgia, a Posco anunciou a compra da sul-coreana Daewoo International por 3,37 trilhões de wons (US$ 2,8 bilhões). Como a empresa de comércio detém ativos de níquel, carvão e óleo na África, na Austrália e na Ásia, a transação foi justificada como forma de expandir os recursos de matéria-prima da Posco.

Câmbio e commodities
Em meio a uma manhã de volatilidade, o dólar opera com sinais invertidos – subindo frente ao euro e caindo dianta da libra esterlina. No mercado de commodities, a sessão começa com valorização dos metais – destaque para a alta de 2,2% do cobre – e com redução na cotação do petróleo, que cai 0,5% tanto em Londres quanto em Nova York.

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Brasil
Por aqui, a agenda tem como destaque a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que marcou inflação de 0,77% em agosto, bem acima da variação de 0,15% vista em julho. A taxa também superou as expectativas do mercado, de alta de 0,61%.

Ademais, o Banco Central publicou a atualização semanal do relatório Focus, mostrando redução das expectativas de inflação, com a mediana das projeções para a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano atingindo 5,07%. O documento também apontou queda nas estimativas para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2010, que agora indicam uma alta de 7,09%. Há quatro semanas, as expectativas eram de avanço de 7,20%.

Na cena corporativa, a Petrobras continua em destaque, com expectativas de novas notícias em torno da capitalização da estatal e da precificação do barril da cessão onerosa.