Mesmo após queda real em novembro, dívida líquida do setor público segue elevada

Em novembro a dívida total líquida do governo brasileiro ficou em R$ 869,47 bilhões, cerca de 57,5% do Produto Interno Bruto

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SÃO PAULO – Em novembro a dívida total líquida do setor público brasileiro atingiu R$ 869,47 bilhões, ou cerca de 57,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Do total da dívida líquida, o governo federal respondia por R$ 574,93 bilhões, os governos estaduais eram responsáveis por R$ 244,64 bilhões, enquanto os governos municipais ficaram com R$ 32,02 bilhões e as empresas estatais com R$ 27,54 bilhões.

A dívida líquida em novembro apresentou uma leve alta em termos nominais em relação ao mês de outubro, que chegou a R$ 866,21 bilhões, ou 59,4% do PIB. Houve uma queda na relação dívida/PIB, resultado da valorização do real frente ao dólar, refletindo na dívida brasileira atrelada à moeda americana.

Porém, mesmo com a redução, o patamar atual é muito elevado, uma vez que no final de 2001 a dívida líquida total do governo brasileiro somava R$ 660,87 bilhões, representando 53,3% do PIB.

Maior parte da dívida é interna

Do total da dívida líquida do setor público, cerca de 73% é interna. A dívida líquida interna ficou em R$ 634,75 bilhões em novembro, correspondendo a 42% do PIB. Já em outubro a dívida havia ficado em R$ 631,35 bilhões, quando representava 43,7% do produto interno bruto.

Dívida líquida federal representa 39,3% do PIB

A dívida líquida do governo federal atingiu 38% do PIB brasileiro ao atingir R$ 574,93 bilhões em novembro, um aumento de 1% em relação aos R$ 568,15 bilhões de outubro, quando equivalia a 39% do PIB.

A dívida interna líquida do governo federal no mês de novembro, que exclui a parcela referente à dívida externa, foi de R$ 308,04 bilhões, ou 21% do PIB, contra R$ 302,91 bilhões, ou 21% do PIB em outubro.

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É importante destacar que este total inclui a dívida mobiliária do Tesouro Nacional, que atingiu R$ 533,12 bilhões, o passivo de R$ 182,95 bilhões com o Banco Central, além de diversos créditos, como a parcela da dívida estadual devida ao governo federal e os recursos do FAT.

Dívida interna do BC foi de 3,6% do PIB

A dívida interna líquida do Banco Central foi da ordem de R$ 53,9 bilhões em novembro, equivalente a 3,6% do PIB, frente aos R$ 61,7 bilhões do mês de outubro. A maior parte do passivo do Banco Central diz respeito à dívida mobiliária do Bacen, que chegou a R$ 75,76 bilhões, à base monetária, além de depósitos junto ao Banco Central. Por outro lado, o Bacem tem a receber R$ 182,95 bilhões do Tesouro Nacional.

Maior parte da dívida dos estados é com o governo federal

A dívida interna dos governos estaduais mostrou crescimento em novembro, atingindo o montante de R$ 226 milhões, o que representa 15% do PIB. Em novembro a dívida representava 15,1%, ou R$ 219,68 bilhões. Cerca de 79% da dívida dos estados, ou R$ 179,53 bilhões no final de novembro, era com o governo federal.

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Dívida segue mostrando correlação com o dólar

Em função da elevada parcela da dívida que é corrigida pelo dólar, a queda registrada no endividamento do setor público em outubro não surpreendeu, dada a valorização do real no período.

A perspectiva para os próximos meses depende, desta forma, do nível do dólar, embora o recente aumento na Selic deva aumentar as despesas de juros na parcela da dívida corrigida pelo CDI, pressionando para cima a dívida. Por outro lado, a alta da inflação pode ter um efeito benéfico na relação dívida/PIB, uma vez que deve levar a um aumento maior do que o esperado no PIB nominal.

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