Polêmica

Mesmo após escândalo, protocolo DeFi decide continuar com as portas abertas

Na semana passada, um analista revelou que um dos integrantes do Wonderland esteve envolvido em um golpe milionário

Por  CoinDesk

O desenvolvedor Daniele Sestagalli, fundador do popular protocolo de finanças descentralizada (DeFi) Wonderland (TIME), foi à plataforma Discord na segunda-feira (31) para acalmar os ânimos dos integrantes da comunidade, receosos com o futuro do projeto após um grande escândalo.

Mas, em vez de dar detalhes sobre o que será feito, Sestagalli, não apresentou nenhum plano prático. Os participantes, no entanto, votaram pela continuidade do protocolo em uma votação realizada nesta semana.

O Wonderland foi abalada na semana passada, quando seu token derreteu 32% após o analista on-chain zachXBT revelar que o tesoureiro do projeto, que usava o pseudônimo “Sifu”, na verdade era Michael Patryn, o cofundador da fraudulenta exchange de criptomoedas QuadrigaCX, que sumiu com US$ 135 milhões de investidores.

O token então recebeu outra rasteira, e chegou a ser negociado 95% abaixo de sua máxima, quando o próprio Sestagalli disse em entrevista ao CoinDesk que sabia do passado de Patryn semanas antes de zachXBT, e mesmo assim quis continuar a parceria com ele. Atualmente, o ativo tem uma capitalização de mercado de US$ 320 milhões, pouco menos do que os US$ 325 milhões depositados no seu tesouro.

Por conta da repercussão negativa, Patryn foi demitido de suas funções após uma votação da comunidade, que é uma DAO (Organização Autônoma Descentralizada). Nesse tipo de comunidade, os detentores de tokens de governança têm direito a voto na proporção à quantia de ativos controlada. A margem foi de 90 a 10.

Na manhã desta terça-feira (1º), no entanto, Patryn transferiu US$ 2,8 milhões em Ethereum (ETH) de seu endereço público para um mixer (misturador de ativos digitais) chamado Tornado Cash. “É impossível determinar com certeza se o golpista está no controle do endereço, mas, dado o caso específico, é provável”, disse o diretor de tecnologia da carteira de criptomoedas ZenGo, Tal Be’ery, ao CoinDesk.

Futuro do projeto

Enquanto alguns defenderam a dissolução do projeto, permitindo que os participantes resgatassem seu tokens por valores mais baixos, outros queriam arranjar alguma forma de continuar com o protocolo para não perder tanto dinheiro. O próprio Sestagalli fazia parte do primeiro grupo, e queria acabar com tudo.

Em bate-papos no Discord na segunda-feira (31), no entanto, Sestagalli prometeu se esforçar para ajudar os usuários. “O que precisamos fazer é encontrar um plano para colocar os sapos (referência aos integrantes da comunidade, chamada de “Frog Nation”) de pé novamente”, escreveu ele em uma série de mensagens.

Naquele mesmo dia, houve uma votação sobre o futuro do projeto. No total, 55% dos participantes votaram a favor da continuidade do Wonderland. Com mais de 22 mil endereços votando, foi talvez a proposta de governança mais ativa da história, com a grande maioria dos endereços individuais votando pela continuidade.

No momento, o plano está começando a tomar forma em um punhado de propostas atuais e antigas sugeridas pela comunidade. Várias delas recomendam a criação de uma tesouraria independente enquanto não se encontra outro gestor de ativos para ocupar o lugar do golpista. Nenhuma ideia, no entanto, até agora conquistou apoio popular entre os investidores amplamente descontentes.

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