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Faltando poucos dias para o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, o Goldman Sachs voltou a reforçar sua recomendação de compra para ações brasileiras. Em relatório da mesa de operações assinado por Nelson Armbrust, head de intermediação de ações para a América Latina do banco americano divulgado nesta quarta-feira, o banco norte-americano afirma que os investidores ainda estão subexpostos ao mercado brasileiro e que o cenário pós-eleição pode gerar ganhos expressivos.
“O segundo turno das eleições presidenciais é neste domingo e você não tem exposição suficiente em equities brasileiras”, diz o documento, em tom direto.
Desde a recomendação inicial feita em 18 de setembro, o EWZ (principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York) já valorizou 35% em dólares, e uma estratégia de call spread recomendada pelo banco saltou de US$ 1 para US$ 3,15.
A estratégia call spread é de compra e venda simultânea de opções de compra (calls), usada para lucrar com a valorização de uma ação, com risco e ganho máximos previamente limitados.
Agora, o Goldman aposta que o movimento ainda tem fôlego. De acordo com o modelo macro cíclico do Goldman Sachs Research, a queda nas taxas de juros de longo prazo explica 85% da movimentação do Ibovespa desde o primeiro turno. Historicamente, uma redução de 100 pontos-base nas taxas de 5 anos gera, em média, alta de 5% a 6% no Ibovespa, 9% em small caps e impressionantes 14% em ações mais sensíveis a juros.
Com a taxa de 5 anos já recuando cerca de 150 pontos-base desde o primeiro turno, os movimentos observados até agora estão em linha com o histórico.
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Paralelos com 2018
O relatório faz uma comparação direta do movimento do mercado com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Na ocasião, o Ibovespa subiu cerca de 15% nos quatro a cinco meses seguintes ao segundo turno, à medida que anúncios de política econômica e nomeações ministeriais se tornavam mais claros. Small caps e ações sensíveis a juros chegaram a disparar entre 30% e 40% nos seis meses seguintes — bem acima do que se viu até agora neste ciclo.
“A movimentação atual sugere espaço para ganhos adicionais com base em tendências eleitorais passadas”, pondera o banco, ainda que ressalve que desempenhos passados não garantem retornos futuros.
As empresas brasileiras com balanços mais frágeis foram as que mais sofreram com revisões de lucro para baixo em 2026 — queda de 15% ante estabilidade para as companhias com balanços sólidos. Justamente essas empresas, segundo o Goldman, são as que mais podem se beneficiar se os juros continuarem caindo.
Fluxo estrangeiro acelera
Desde o primeiro turno, o Goldman destaca compras significativas de fundos globais long-only em produtos indexados, além de forte entrada de global macro hedge funds em carteiras customizadas. Investidores locais, por sua vez, começaram a migrar para nomes de maior beta (mais sensíveis ao mercado).
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Olhando para o cenário pós-eleição, o banco aponta que os juros podem cair ainda mais. O Goldman projeta que, com a eleição de Flávio Bolsonaro, as taxas de juros de curto prazo podem recuar mais 50 a 100 pontos-base no curto prazo, com a taxa terminal podendo chegar a 11% até o fim do ano — uma queda total de cerca de 180 pontos-base desde o primeiro turno.
“Se os juros caírem mais 150 pontos-base até o fim do ano, podemos assumir uma alta de 20% a 25% no GSBZRATE”, projeta o banco, destacando uma estratégia de carteira de ações brasileiras de alta sensibilidade a juros em dólares.
Para investidores que preferem risco limitado, o Goldman recomenda a estratégia call spread “EWZ 15Jan27 45-52”, negociada a US$ 1,90 (referência US$ 42,80), com pagamento máximo de 3,7 vezes o investimento.
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A recomendação consiste em um call spread com vencimento em 15 de janeiro de 2027, por meio da compra de uma opção de compra (call) com preço de exercício de US$ 45 e da venda de uma call com strike de US$ 52. O custo da operação é de US$ 1,90 por cota.
Apesar da visão construtiva para os próximos meses, o Goldman pondera que a reação imediata após o segundo turno pode ser mais volátil. Isso porque parte relevante do mercado já precifica uma vitória de Flavio Bolsonaro, o que levou investidores a aumentar proteções por meio de opções sobre o EWZ e o Ibovespa.
Ainda assim, o banco acredita que uma eventual vitória do candidato poderia abrir espaço para novas quedas nos juros locais, impulsionadas pela expectativa de medidas de ajuste fiscal, redução de gastos públicos e reformas institucionais. Nesse cenário, o Goldman vê potencial para um fechamento adicional da curva de juros até o fim do ano, o que continuaria sustentando a valorização das ações brasileiras.
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